Fórum Fundo Vale debate financiamento ambiental

Evento foi transmitido ao vivo. Em breve as gravações e as apresentações feitas estarão disponíveis aqui no site.

Medir impactos e alcançar eficiência nos resultados são hoje as principais exigências das instituições que financiam projetos de desenvolvimento sustentável. Essa foi a principal constatação dos participantes do IV Fórum Fundo Vale - Conjuntura e Perspectivas para o Investimento Ambiental no Brasil, realizado ontem em São Paulo.

Já na abertura, o presidente do conselho gestor do Fundo Vale, Luiz Eduardo Lopes, desafiou os participantes a recuperarem mais áreas degradadas gastando menos. "Precisamos conseguir juntar recursos e pessoas e isso só se faz com boa gestão", disse, em clara referência ao modelo de trabalho do Fundo.

A executiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Cláudia Costa, reforçou a avaliação. Segundo ela, o conceito adotado pelo Banco para avaliar projetos na área ambiental vai além da mitigação de danos. "O BNDES já trabalha com conceito de quíntuplo botton line, que incorpora inovação e integração territorial, além dos aspectos social, econômico e ambiental", completou.

 "No Brasil, a filantropia sempre esteve mais ligada a ações sociais do que ambientais e não havia tradição de doações atreladas a metas e resultados. Isso já está mudando.", resumiu Mirela Sandrini, Diretora de Operações do Fundo Vale.

E o futuro do financiamento ambiental?

A programação do Fórum foi dividida em dois painéis. O primeiro painel "Reflexões Sobre o Futuro do Financiamento Ambiental" teve como objetivo avaliar as fontes tradicionais de financiamento para meio ambiente, quais são as regiões que mais tem atraído investimentos no contexto econômico atual, os desafios a serem enfrentados e as oportunidades na captação de recursos para projetos ambientais.

Beto Veríssimo, pesquisador do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), disse já não trabalhar com o conceito de financiador, mas de parceiro em seus projetos. Na avaliação de outros participantes da mesa, porém, ainda estamos em uma fase de transição.

"O ambiente de financiamento no Brasil precisa ser dinamizado. Ainda é muito amarrado ao passado", informou o coordenador de mecanismos financeiros do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Manoel Serrão.

No segundo painel "Novos Modelos de Investimentos Verdes" foram apresentados vários modelos de negócios baseados no conceito de sustentabilidade. Criador da ONG Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), Cláudio Pádua apresentou, por exemplo, a empresa Arvorar, que criou para gerir projetos de reflorestamento. Já o diretor da Pragma, Paulo Bellotti, abordou as premissas que utiliza para selecionar os investimentos do Fundo Axial e relatou o processo de amadurecimento do projeto.

Para ele, investimento de impacto é aquele que foca em empresas inovadoras, que usem as forçaas de mercado para encaminhar soluções para problemas sociais e ambientais, gerando lucro. "Fiz 11 investimentos, vendi seis, fechei um e ainda tenho outros quatro em carteira", resumiu.

Para Pádua, do IPÊ, há oportunidades em várias etapas da cadeia de negócios sustentáveis. "Tem uma série de investidores buscando oportunidades de negócios nessa área", completou.

Evento que pensa e pratica sustentabilidade

O Fundo Vale buscou a sustentabilidade não apenas no tema do fórum, mas na produção do evento em si. Para isso, trouxe parceiros como o Mapinguari Design, de Belém, e a ONG Design Possível, de São Paulo, para pensar uma ambientação baseada no conceito de design sustentável e inclusão social.

Todo o cenário de fundo de palco foi produzido com caixas de papelão reutilizadas e painel de entrada foi revestido com placas de Miriti, fabricadas pela Miritong, vindas diretamente de Abaetetuba, no Pará. Os painéis foram impressos em malha pet e depois transformados em capa para notebook pelo grupo Cardume de Mães, que costurou o brinde durante a realização do próprio evento, no mesmo local. "A ideia era que os participantes vissem essa desmaterialização do evento, e levasse para casa um pedacinho dele", conta Márcia Soares, coordenadora de Gestão da Informação do Fundo Vale.

Para complementar, a ONG Iniciativa Verde mensurou as emissões de CO2 equivalente relativo à realização do evento para que o Fundo Vale pudesse fazer a devida compensação e apoiasse o plantio de árvores que absorvam da atmosfera a quantidade de carbono equivalente emitido.

Mais informaçõe sobre os projetos envolvidos em:
miritong.blogspot.com
grupocardumedemaes.blogspot.com
www.designpossivel.org

www.iniciativaverde.org.br
www.mapinguaridesign.com.br

 Confira algumas das apresentações feitas:

Mirela Sandrini - Fundo Vale
Claudia Costa - BNDES/ Fundo Amazônia
Sonia Favaretto - BM&F Bovespa
Manoel Serrão - Funbio
Cláudio Pádua - Ipê
Vinícius Vizzotto - UFRS

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