Corredor Xingu

PROJETO ENCERRADO: Cadeias de Valor da Sociobiodiversidade no Xingu

Foto: Rafael Salazar

Foto: Rafael Salazar

Diversidade produtiva, para valorizar a diversidade ambiental e cultural

 

Parceiro: ISA – Instituto Socioambiental

Data de encerramento: Fevereiro de 2017

 

O Corredor de Diversidade Socioambiental do Xingu (Corredor Xingu), localizado entre os estados de Mato Grosso e Pará, ocupa 54% da bacia hidrográfica do rio Xingu. Forma um bloco de áreas protegidas estabelecido nos últimos 50 anos, baseado em diferentes legislações voltadas ao reconhecimento dos direitos territoriais de populações tradicionais que habitam a bacia do Xingu e à proteção da diversidade socioambiental regional.

A gestão de interesses comuns neste território é um desafio em pauta, sobretudo com a perspectiva da implementação e desenvolvimento de projetos multiétnicos no contexto das oportunidades de serviços socioambientais e de estabelecimento de acordos de uso comum dos recursos do território, visando a sua sustentabilidade futura.

Entre as Unidades de conservação (UCs) de uso sustentável no Corredor Xingu destaca-se as Reservas Extrativistas (Resex): do Rio Iriri; a do Rio Xingu e a do Riozinho do Anfrísio além das populações tradicionais no entorno dessas unidades, como reconhecimento de que o modo de vida das comunidades tradicionais extrativistas e suas práticas de manejo contribuem para a proteção e manutenção da biodiversidade.

A diversidade de cadeias produtivas é parte da premissa de atuação no território que entende essa diversidade como parte do modo de vida das populações, o que garante a liberdade de opção de atividade produtiva, a complementaridade de safras ao longo do ano e a segurança de geração de renda pelo não investimento em um único produto/cadeia.

Neste sentido, o projeto tem como pano de fundo promover a sustentabilidade econômica das populações extrativistas e indígenas na Bacia Hidrográfica do Rio Xingu por meio da melhoria na produção local e do desenvolvimento de diferentes mercados para produtos florestais não madeireiros (PFNM) como a borracha, a copaíba, sementes florestais, castanha, andiroba, babaçu, mel, pequi e pimenta; atuando nas diferentes partes da cadeia de valor, visando trabalhar uma cesta de negócios da floresta reconhecendo, valorizando e fomentando os potenciais da região estabelecendo relações comerciais justas e arranjos diferenciados entre comunidades, empresas, governo e organizações de apoio que reconheçam e valorizem os serviços socioambientais prestados por estas populações, que resultem na agregação de valor aos produtos agroextrativistas e no desenvolvimento econômico sustentável dessas populações.

Nos últimos anos ocorreram avanços significativos nos caminhos para a sustentabilidade econômica das populações extrativistas, relacionados ao estímulo a retomada da produção da borracha, o incremento da produção do óleo de copaíba e da castanha ocorreu do acesso mais direto dos extrativistas ao mercado e contratos estabelecidos com empresas como Mercur,  Firmenish e Wickbold.

A valorização dos territórios, suas populações e de serviços que demonstre o valor da floresta em pé e do conhecimento tradicional associado podem levar as cadeias da Sociobiodiversidade para outro estágio de competitividade no mercado, com a devida remuneração das populações e da cadeia, promovendo a diversidade socioambiental do Xingu e adequação socioambiental de municípios da região exigindo inovações nas politicas públicas adequadas à realidade dos territórios e populações, formas de organização social e modelos de desenvolvimento local.

 

Principais atividades do projeto:

  • Consolidar o sistema de gestão das cantinas e do capital de giro já existentes na Terra do Meio.
  • Estruturar o funcionamento de uma Rede de cantinas, grupo de cantineiros organizados entre si e atuando de forma coordenada.
  • Promover processos de formação visando o aprimoramento na qualidade e manejo das sementes e da gestão dos grupos coletores bem como a facilitação da autonomização da Associação Rede de Sementes do Xingu;
  • Influenciar na construção e adequação de políticas públicas relacionadas às cadeia de valor de produtos da Sociobiodiversidade.
  • Contribuir para a consolidação  das cadeias da Sociobiodiversidade na TIX (mel, pimenta e pequi).
  • Realizar pesquisa intercultural para valorar os serviços socioambientais associados aos produtos extrativistas partindo do mapeamento de áreas extrativistas e de uso.
  • Consolidar a conexão entre os arranjos comerciais locais regionais e nacionais  por meio do Selo de Origem Brasil – Xingu.
  • Aglutinar novas parcerias comerciais e governamentais aos arranjos produtivos em andamento no território.
  • Desenvolver estratégias para a comercialização dos produtos acabados.

 

Parceiros locais: Instituto Raoni, Instituto Kabu, Associação Floresta Protegida- AFP, Associação indígena Pyjahyry Xipaia (AIPHX), Cantinas da Terra Indígena Kuruaya, Associação Ibekrin, Associação de Moradores da Resex do Rio Iriri (AMORERI), Associação de Moradores da Resex do Rio Xingu (AMOREX), Associação de Moradores da Resex do Riozinho do Anfrísio (AMORA), Associação de Extrativistas do Rio Iriri – Maribel (AERIM), Associação Agroextrativista Sementes da Floresta (AASFLOR), Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira, Imaflora, The Nature Conservancy (TNC), Instituto ATA, MERCUR S.A, Firmenish, Wickbold, Atina, Scott Tech, Universidade Federal do Pará (UFPA) – Campus Altamira, Secretaria Municipal de  Meio Ambiente de Brasil Novo, IDEFLOR-Bio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Fundação Nacional do Indio (FUNAI) – coordenações regionais Altamira e Xingu, Secretaria de Agroextrativismo do MMA, Associação da Terra Indígena Xingu- ATIX, Associação Yarikayu do povo Yudja, Centro de Organizacão Kawaiwete (COK), Associação Indígena Kisedje (AIK), Associacão Indígena Moygu, Comunidade Ikpeng, Associação Tulukai do povo Waurá, Associação Iakiô Panara, Articulação Xingu Araguaia, IPAM, Unemat, Embrapa – unidade de Sinop, Prefeitura Municipal de Querência e Prefeitura Municipal de Canarana, Programa Matogrossense de Municípios Sustentáveis (PMS).

 

Resultados do projeto

Desde 2010 o Fundo Vale apoia a estruturação de cadeias produtivas de base florestal nas Reservas Extrativistas da Terra do Meio (PA) e no Parque Indígena do Xingu (MT/PA), culminando no projeto desenvolvido em 2016. A ideia sempre foi atuar com foco numa cesta de produtos da floresta, que permite garantir renda mesmo nas sazonalidades, e otimizar os diferentes recursos naturais extrativistas disponíveis.

Como resultado, percebe-se que as cadeias de valor da Terra do Meio tiveram melhorias nos processos de gestão, especialmente com a maior clareza no ciclo de gestão das cantinas e das cadeias, na maior participação ativa e engajamento dos ribeirinhos nas reuniões de planejamento e assembleias das associações e na estruturação dos processos de comercialização e gestão do capital de giro.

A estruturação da gestão das cantinas se deu por meio da abertura de contas nos bancos para os cantineiros; inscrição dos mesmos como produtores rurais junto à Secretaria da Fazenda do Estado do Pará; início da informatização do processo de gestão; aporte de capital de giro para a criação de novas cantinas (3 novas), Mini usinas e Oficinas Caboclas; construção e melhoria de estruturas físicas; estruturação de quatro novas mini usinas no território e; construção de novas parcerias comerciais para absorver a produção.

O trabalho junto aos ribeirinhos da Terra do Meio realizado pelo ISA nos últimos 10 anos mostrou que não é factível para as famílias aguardarem tanto tempo para receber pelo trabalho realizado. É clara a preferência por ter o dinheiro ou mercadoria na hora da venda da produção, do que o melhor preço, pois a necessidade do recurso é normalmente imediata. Assim, as cantinas (com seus capitais de giro) proporcionam o pagamento na hora pela produção e com um preço melhor do que o praticado pelos atravessadores da região, influenciando também suas dinâmicas de funcionamento.

É importante destacar a importância do processo de acompanhamento e formação dos cantineiros pelos técnicos de campo. Cada Resex possui um técnico de campo que acompanha em média 4 cantinas e 70 famílias em atividades de campo que costumam durar mais do que 30 dias.

A rede de cantinas da Terra do Meio conta atualmente com a seguinte estrutura:

  • 01 galpão alugado em Altamira, sede/galpão das associações em construção em Altamira e sede da AASFLOR alugada em Uruará.
  • 17 cantinas em funcionamento (Resex, Xipaya e Kuruaya), duas cantinas planejadas para as Resex, AASFLOR organizando a produção em Uruará e duas “cantinas” em organização nos Xikrim.
  • 1 Mini Usina no Rio Novo, 3 Mini Usinas na AASFLOR, 4 Mini Usinas em construção nas Resex e 01 Mini Usina em construção nos Xikrin e pelo menos mais 01 Mini Usina planejada para as TI Xipaya e Kuruaya.
  • 3 Oficinas Caboclas em funcionamento nas Resex e 01 planejada.
  • 44 paióis construídos na região, 8 ampliações previstas e demanda de paióis familiares para armazenamento de castanha e borracha (casa de borracha).
  • 153 estradas de seringa colocadas e demanda crescente de mais estradas tanto na TI Xipaya quanto nas Resex.

Também foram desenvolvidos novos rótulos para os produtos, potencializando a agregação de valor e deixando-os adequados para a comercialização em mercados de São Paulo, sendo os produtos já comercializados no Mercado Municipal de Pinheiros, na loja Amazônia do ATA, e com negociação em curso com o Grupo Pão de Açúcar.

Está em andamento um processo de teste da qualidade dos produtos e a estruturação de projetos para inseri-los na merenda escolar de diferentes municípios da região do Pará.

 

Mais informações

Ficha técnica:

Objetivo geral

Contribuir com a viabilização de arranjos institucionais e produtivos (agro)extrativistas em torno do desenvolvimento sustentável de cadeias de valor da Sociobiodiversidade no Xingu, visando viabilizar a comercialização com acordos comerciais justos, experimentando soluções que aliem a produção e a conservação socioambiental nessa região.

Início

Maio de 2016

Duração

8 meses