Corredor Tapajos

PROJETO ENCERRADO: Centro Floresta Ativa no apoio às cadeias produtivas da sociobiodiversidade

Fortalecendo a organização comunitária e as alternativas produtivas sustentáveis dentro da Resex Tapajós-Arapius, no Pará. 

Parceiro: Projeto Saúde e Alegria /

Data do encerramento: Fevereiro de 2017.

Historicamente, o oeste paraense acumulou um passivo de exploração predatória, sobretudo da madeira, agravada na década passada pelo crescimento acelerado do agronegócio proveniente do sul e centro-oeste do Brasil, gerando intenso fluxo de ocupação na região.

A partir de 2005, a mobilização social contra o processo que se instalava e pela regularização fundiária surtiu alguns efeitos positivos, influenciando o surgimento de medidas governamentais importantes, como o Plano BR163 Sustentável, a Lei de Concessão de Florestas Públicas, a criação do primeiro Distrito Florestal do país, bem como de um mosaico de áreas protegidas no oeste paraense – Unidades de Conservação (UC), Territórios Indígenas (TI) e Assentamentos – fundamentais para redução dos conflitos e do desmatamento.

O aumento dessas áreas protegidas trouxe um novo cenário, onde a consolidação da vocação econômica florestal e extrativista da região precisa encontrar, na forma múltipla do manejo dos recursos disponíveis, a chave para a promoção do desenvolvimento territorial sustentável. Por serem habitadas em geral por povos tradicionais que vivem do extrativismo e da agricultura familiar, as novas áreas representam um passo significativo para assegurar os direitos à terra.  Por outro lado, aumenta a responsabilidade dos moradores na gestão dos territórios, demandando apoio para viabilizá-los social, econômica e ambientalmente.

É sob esse desafio que se insere Projeto do Centro Floresta Ativa, na soma de esforços para se construir estratégias socioambientais inclusivas e replicáveis de Desenvolvimento Territorial Integrado junto às Unidades de Conservação de Uso Sustentável (e outras modalidades), esperando com isso não apenas elevar a qualidade de vida das populações tradicionais diretamente envolvidas, como também contribuir com referências demonstrativas para consolidação da política de Áreas Protegidas para Amazônia.

O projeto é desenvolvido na Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, uma Unidade de Conservação (UC) de quase 650 mil ha, nas zonas rurais de dois Municípios do oeste paraense – Santarém e Aveiro. É a Reserva mais populosa do Brasil, com cerca de 22 mil moradores, distribuídos em 74 comunidades, em sua maioria populações tradicionais agroextrativistas de baixa renda e em situação de vulnerabilidade.

Seus moradores vivem em sua maioria do extrativismo e da agricultura de corte/queima. Caçam, pescam, criam pequenos animais, plantam lavouras (mandioca, feijão, milho, jerimum, algumas frutas e castanhas) e coletam produtos da floresta (madeira, látex, mel, cipós, talas, resinas, óleos, sementes, folhas e raízes.

Para a reversão de tal quadro, se faz necessário um grande esforço para ordenar o acesso e uso da terra, bem como para mudar o perfil da economia familiar, a partir de práticas agroextrativistas e cadeias produtivas sustentáveis, baseadas na comercialização de produtos agroflorestais, beneficiados e com valor agregado. Enfim, uma nova estratégia de intervenção que inclui o manejo integrado da Reserva a partir do potencial de recursos naturais disponíveis e vocações existentes.

Principais Atividades do projeto:

  • CEFA (Centro Experimental Floresta Ativa) – Finalização das estruturas receptivas, bem como a ampliação das unidades demonstrativas já existentes e sua diversificação com novos elementos produtivos; realização de oficinas práticas com as comunidades, fortalecendo o papel do CEFA como referência educativa ao mesmo tempo que contribuem com parte de sua sustentação por meio de produção própria e redução da dependência de insumos externos para as operações de rotina (sobretudo do diesel e gêneros alimentícios).
  • Cadeias Produtivas Florestais (Não madeireiros e empreendimentos integrados) –  Pré-estruturação das principais cadeias produtivas florestais (Reposição florestal, Mudas e Sementes; Óleos vegetais e essenciais) somadas a Empreendimentos integrados e complementares (Turismo de Base Comunitária/TBC e Artesanatos da Floresta).

Parceiros locais:  ICMBio, INCRA, IDEFLOR/PA, UFOPA – Universidade Federal do Oeste do Pará, Natura, Funbio – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, IPEP-  Instituto de Permacultura dos Pampas, Tapajoara, FCFT – Federação das Organizações e Comunidades da Flona Tapajós, Coomflona – Cooperativa Mista da Flona-Tapajós, Turiarte –  Cooperativa de Turismo e Artesanato da Floresta e Casas Familiares Rurais (de Santarém e Belterra).

 

Resultados do Projeto

Em relação às atividades do Centro Experimental Floresta Ativa, foi realizada capacitação comunitária em segurança alimentar e ações de recuperação de áreas degradadas (matas ciliares). Sobre as cadeias produtivas florestais não-madeireiros, foi realizada a ampliação dos viveiros para uma capacidade de produção de 150.000 mudas/ano.

As mudas são distribuídas aos agricultores do programa de reposição florestal e adicionalmente, o recurso advindo da venda de mudas é utilizado para auxiliar no desenvolvimento da cadeia de mudas e sementes florestais na região. Para tal, capacitação dos coletores de sementes, capacitação para processos de compostagem produção de mudas foram realizados.

Ao longo do ano de 2016 foi realizado um diagnóstico “Meliponicultura na Região do Tapajós e Arapiuns: Desafios e Possibilidades” que demonstrou o potencial elevado para desenvolver e consolidar a cadeia/produção de mel e produtos derivados na região. Este diagnóstico serviu de base para o “Primeiro Encontro dos Manejadores de Abelhas da Resex Tapajós Arapiuns” que objetivo debater os desafios, perspectivas e melhorias na cadeia do mel na região.

 

Mais informações:

Ficha técnica:

Objetivo geral

Aprofundar as ações demonstrativas iniciadas pelo Programa Floresta Ativa na Resex Tapajós-Arapiuns, com foco no apoio à agricultura familiar, manejo florestal, recuperação de áreas degradadas, implantação de quintais agroflorestais e roçados agroecológicos, com atenção à pré-estruturação das principais cadeias produtivas florestais identificadas (Reposição florestal, mudas e sementes; Óleos vegetais e essenciais; Turismo comunitário, artesanatos e outros produtos da sociobiodiversidade), melhorando a renda da população e fortalecendo a economia da floresta em pé.

Início

Maio de 2016

Duração

9 meses