Corredor Tapajos

Centro Floresta Ativa no apoio às cadeias produtivas da sociobiodiversidade

Fortalecendo a organização comunitária e as alternativas produtivas sustentáveis dentro da Resex Tapajós-Arapius, no Pará. 

Parceiro: Projeto Saúde e Alegria

Historicamente, o oeste paraense acumulou um passivo de exploração predatória, sobretudo da madeira, agravada na década passada pelo crescimento acelerado do agronegócio proveniente do sul e centro-oeste do Brasil, gerando intenso fluxo de ocupação na região.

A partir de 2005, a mobilização social contra o processo que se instalava e pela regularização fundiária surtiu alguns efeitos positivos, influenciando o surgimento de medidas governamentais importantes, como o Plano BR163 Sustentável, a Lei de Concessão de Florestas Públicas, a criação do primeiro Distrito Florestal do país, bem como de um mosaico de áreas protegidas no oeste paraense – Unidades de Conservação (UC), Territórios Indígenas (TI) e Assentamentos – fundamentais para redução dos conflitos e do desmatamento.

O aumento dessas áreas protegidas trouxe um novo cenário, onde a consolidação da vocação econômica florestal e extrativista da região precisa encontrar, na forma múltipla do manejo dos recursos disponíveis, a chave para a promoção do desenvolvimento territorial sustentável. Por serem habitadas em geral por povos tradicionais que vivem do extrativismo e da agricultura familiar, as novas áreas representam um passo significativo para assegurar os direitos à terra.  Por outro lado, aumenta a responsabilidade dos moradores na gestão dos territórios, demandando apoio para viabilizá-los social, econômica e ambientalmente.

É sob esse desafio que se insere Projeto do Centro Floresta Ativa, na soma de esforços para se construir estratégias socioambientais inclusivas e replicáveis de Desenvolvimento Territorial Integrado junto às Unidades de Conservação de Uso Sustentável (e outras modalidades), esperando com isso não apenas elevar a qualidade de vida das populações tradicionais diretamente envolvidas, como também contribuir com referências demonstrativas para consolidação da política de Áreas Protegidas para Amazônia.

O projeto é desenvolvido na Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, uma Unidade de Conservação (UC) de quase 650 mil ha, nas zonas rurais de dois Municípios do oeste paraense – Santarém e Aveiro. É a Reserva mais populosa do Brasil, com cerca de 22 mil moradores, distribuídos em 74 comunidades, em sua maioria populações tradicionais agroextrativistas de baixa renda e em situação de vulnerabilidade.

Seus moradores vivem em sua maioria do extrativismo e da agricultura de corte/queima. Caçam, pescam, criam pequenos animais, plantam lavouras (mandioca, feijão, milho, jerimum, algumas frutas e castanhas) e coletam produtos da floresta (madeira, látex, mel, cipós, talas, resinas, óleos, sementes, folhas e raízes.

Para a reversão de tal quadro, se faz necessário um grande esforço para ordenar o acesso e uso da terra, bem como para mudar o perfil da economia familiar, a partir de práticas agroextrativistas e cadeias produtivas sustentáveis, baseadas na comercialização de produtos agroflorestais, beneficiados e com valor agregado. Enfim, uma nova estratégia de intervenção que inclui o manejo integrado da Reserva a partir do potencial de recursos naturais disponíveis e vocações existentes.

Principais Atividades do projeto:

  • CEFA (Centro Experimental Floresta Ativa) – Finalização das estruturas receptivas, bem como a ampliação das unidades demonstrativas já existentes e sua diversificação com novos elementos produtivos; realização de oficinas práticas com as comunidades, fortalecendo o papel do CEFA como referência educativa ao mesmo tempo que contribuem com parte de sua sustentação por meio de produção própria e redução da dependência de insumos externos para as operações de rotina (sobretudo do diesel e gêneros alimentícios).
  • Cadeias Produtivas Florestais (Não madeireiros e empreendimentos integrados) –  Pré-estruturação das principais cadeias produtivas florestais (Reposição florestal, Mudas e Sementes; Óleos vegetais e essenciais) somadas a Empreendimentos integrados e complementares (Turismo de Base Comunitária/TBC e Artesanatos da Floresta).

Parceiros locais:  ICMBio, INCRA, IDEFLOR/PA, UFOPA – Universidade Federal do Oeste do Pará, Natura, Funbio – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, IPEP-  Instituto de Permacultura dos Pampas, Tapajoara, FCFT – Federação das Organizações e Comunidades da Flona Tapajós, Coomflona – Cooperativa Mista da Flona-Tapajós, Turiarte –  Cooperativa de Turismo e Artesanato da Floresta e Casas Familiares Rurais (de Santarém e Belterra).

Ficha técnica:

Objetivo geral

Aprofundar as ações demonstrativas iniciadas pelo Programa Floresta Ativa na Resex Tapajós-Arapiuns, com foco no apoio à agricultura familiar, manejo florestal, recuperação de áreas degradadas, implantação de quintais agroflorestais e roçados agroecológicos, com atenção à pré-estruturação das principais cadeias produtivas florestais identificadas (Reposição florestal, mudas e sementes; Óleos vegetais e essenciais; Turismo comunitário, artesanatos e outros produtos da sociobiodiversidade), melhorando a renda da população e fortalecendo a economia da floresta em pé.

Início

Janeiro de 2016

Duração

9 meses