Corredor Xingu

PROJETO ENCERRADO: Diálogo intercultural e gestão territorial no Xingu

Valorização da floresta, da diversidade cultural e geração de renda no Parque Indígena do Xingu

 

Parceiro: ISA – Instituto Socioambiental

 

Tão complexo quanto seu ecossistema é o perfil de ocupação humana ao longo do Corredor Xingu. Tão necessária quanto à conservação de sua biodiversidade é a conexão e integração entre seus mais diversos habitantes. O longo trabalho desenvolvido pelo Instituto Socioambiental (ISA) neste território, com a parceria do Fundo Vale desde 2011, vive um momento promissor, em que jovens lideranças surgem cientes da importância de sua história e de seu papel na construção do futuro. Um momento em que as ações desenvolvidas na esfera local podem ultrapassar fronteiras, seja na forma de manejar a terra, na valorização de seus produtos, ou no cuidado de suas comunidades.

O projeto “Diálogo intercultural e gestão territorial no Xingu”, iniciado em 2015, busca consolidar essas ações. Após mais de três anos de iniciada, a Formação em Gestão Territorial do Xingu, formou sua primeira turma de novos líderes indígenas em 2014. Ao todo, foram 700 horas de curso, nas quais 32 alunos compartilharam saberes que constroem pontes entre as tradições do mundo indígena e da sociedade moderna. Ao longo da formação foi possível promover um processo de discussão coletiva capaz de ampliar a integração entre as diversas etnias que vivem dentro do Parque Indígena do Xingu (PIX), e ao mesmo tempo fortalecer as relações entre o universo indígena e não indígena.

A formação ajudou na apropriação dos jovens sobre seu território porque todos os participantes fazem parte de uma geração que nasceu após a demarcação do Parque, em 1961, e não acompanharam seu processo de construção. Os processos de Formação Territorial do PIX continuam com o novo projeto. Agora o grupo irá participar da Rede de Gestores do Parque e vão utilizar as novas ferramentas que conheceram para ajudar na fiscalização e monitoramento do território, utilizando para isso GPS, softwares de construção de mapas e imagens de satélite. Também já estão convocados para apoiar a implementação do Plano de Gestão Territorial do PIX, resultado da primeira fase de apoio do Fundo Vale no território.

Outra importante ação do projeto é a Rede de Sementes do Xingu, iniciativa que vem se destacando por garantir a conservação da biodiversidade local e das nascentes dos rios que cortam o PIX, ao mesmo tempo em que aproxima os diversos moradores do Corredor Xingu e organiza a cadeia de produção de sementes. Ao contrário de outras iniciativas que mobilizam essencialmente coletores, a Rede já alcançou sua autonomia institucional e se tornou pioneira por ser uma articulação multiatores, organizando índios, assentados e produtores rurais, somando hoje 350 coletores ao longo de 16 núcleos. Além disso, estabeleceu importantes parcerias com órgãos públicos, organizações da sociedade civil, empresas, além das prefeituras onde os núcleos estão inseridos. Ao lado desses parceiros, tem conseguido mobilizar redes socioambientais dos municípios onde está presente e fortalecer sua  atuação, acessando programas públicos governamentais.

 

Principais atividades:

  • Iniciar o processo de discussão sobre os aspectos de governança do Plano de Gestão multiétnico do Xingu com vistas a sua implementação bem como construir dois planos étnicos pilotos de gestão dos territórios do baixo Xingu (Povo Yudja) e do leste Xingu (Povo Kisêdjê), em consonância com a PNGATI.
  • Estrutura a Rede de Sementes do Xingu em seus aspectos organizacionais, de produção e manejo bem com em aspectos de comercialização, aprimorando seu arranjo institucional, a autonomia e capacidade de disseminação enquanto um negócio social.
  • Desenvolver o acompanhamento político do tema Educação Escolar Indígena estruturada no Parque Indígena Xingu e o aprimoramento pedagógico direto das Escolas técnicas de ensino médio do Parque Indígena Xingu (PIX) e Panará.
  • Garantir a participação e o acompanhamento das políticas públicas afetas ao território do Xingu em Mato grosso, por meio da participação ativa nos espaços públicos de participação no nível estadual e, nos municípios confrontantes ao PIX com vistas a melhorar aspectos de governança socioambiental das cabeceiras do Xingu.

 

Parceiros locais: organizações governamentais nos três diferentes níveis municipal, estadual e federal, especialmente as prefeituras dos municípios e suas respectivas secretarias de meio ambiente e de agricultura envolvidos com os programas de adequação socioambiental. As organizações indígenas étnicas do PIX bem como a ATIX – Associação Terra Indígena Xingu, Funai CR Xingu são parceiros centrais nas ações de gestão territorial naquele território. As organizações regionais como a Articulação Xingu Araguaia (AXA) e as Prefeituras de Querência, São Felix do Araguaia, Confresa e Vila Rica formam a rede de parceiros na região do Xingu Araguaia Matogrossense.

Ficha técnica:

Objetivo geral

Contribuir para o desenvolvimento de uma estratégia política integrada para a gestão territorial da região do Xingu Matogrossense com base na implementação de planos de gestão territoriais étnicos do Parque Indígena do Xingu, no fortalecimento de cadeias produtivas locais e no estabelecimento de estratégias integradas para a adequação socioambiental que tenham interface com as politicas públicas.

Início

Janeiro de 2015

Duração

15 meses