Durante o ano de 2016 o IEB realizou um conjunto de ações visando qualificar a situação atual das cadeias de valor do agroextrativismo no sul do Amazonas, com apoio do Fundo Vale. O objetivo foi construir bases para uma estratégia de fortalecimento das cadeias de valor mais importantes para a população agroextrativista e indígena da região. O resultado foi uma série de notas técnicas sobre o agroextrativismo neste território. Fechar

09 de Maio de 2016

Extrativistas e Indígenas criam Rede de Cantinas da Terra do Meio

Com apoio técnico do ISA, extrativistas e indígenas unem forças e criam rede de “cantinas”, que promete dinamizar a economia em Reservas Extrativistas e Terras Indígenas na Terra do Meio (PA)

Cantina na comunidade Morro do Anfrísio, Resex Riozinho do Anfrísio | Raquel Rodrigues dos Santos-ISA Foto: Raquel Rodrigues dos Santos/ ISA

Cantina na comunidade Morro do Anfrísio, Resex Riozinho do Anfrísio | Foto: Raquel Rodrigues dos Santos-ISA


Em quatro anos, os ribeirinhos da Terra do Meio, no centro-sul do Pará, implantaram 16 pontos de troca e comercialização de borracha, castanha, farinhas e outra dezena de produtos da floresta. Batizada de “cantina”, a iniciativa começou nas comunidades extrativistas, mas não demorou para os índios embarcarem no projeto. Ele já foi adotado nas três Terras Indígenas da região, onde existem ainda sete Unidades de Conservação (UCs).

Ao todo, 10 comunidades em três Reservas Extrativistas (Resex) já têm a sua cantina. Outras seis estão funcionando nas TIs do povo Arara, Xipaya e Curuaya. Em janeiro, as populações dessas áreas reuniram-se na cidade de Altamira (PA) e criaram a Rede de Cantinas da Terra do Meio.

Na cantina, os moradores da Resex levam castanha, óleo de copaíba e seringa já processada em blocos de borracha e trocam por alimentos e produtos industrializados, que vão desde arroz, sal, açúcar até lanternas, combustível, linhas e barbantes, entre e outros itens que normalmente os extrativistas teriam de viajar dias de barco até a cidade para comprar, ou encarar o alto preço dos regatões. Se preferir, o ribeirinho pode trocar a produção por dinheiro.

A garantia da venda dos produtos da floresta na Terra do Meio veio a partir de termos de cooperação firmados com compradores externos e pactuados com a comunidade. Todos os produtos são tabelados, o lucro e a prestação das contas de cada produto comercializado são definidos e compartilhados em assembleias envolvendo todas as famílias. O modelo recebe apoio técnico do ISA, que auxiliou a implantação das cantinas a partir de 2011.

 

Lei na íntegra em https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/ribeirinhos-e-indigenas-formam-alianca-para-fortalecer-a-economia-da-floresta-amazonica