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14 de Abril de 2018

Institutos e fundações avaliam aprendizados sobre investimentos em negócios de impacto

Grupo reúne 22 institutos e fundações que, junto, estão experimentando ferramentas de finanças sociais para apoio a negócios sociais de impacto.

FIIMP se reúne para avaliar primeiro ano de atividades, em SP.

FIIMP se reúne para avaliar primeiro ano de atividades, em SP.

Perguntas feitas durante muito tempo por investidores sociais – como ‘Será que eu posso investir em negócios de impacto? Será que não teremos problemas jurídicos? Eu tenho que me engajar nessa também? ’, – e que pareciam ainda sem respostas, já começam a ser superadas diante de boas práticas desenvolvidas e diversos obstáculos, principalmente burocráticos, que passam a ser superados. O momento de dúvidas inicial ganha mais clareza e muitos investidores sociais avançam em entender mais o campo e colaborar para fortalecê-lo.

“Tem três aspectos importantes já observados. Primeiro, sim, o investimento social privado pode se engajar com esse tema, não só diretamente com negócios em si, mas com o campo como um todo. Segundo, há barreiras, mas que são totalmente superáveis. E, terceiro, há vários caminhos para que institutos e fundações se engajem no campo. O momento atual, então, é de cada um entender e identificar quais caminhos e oportunidades fazem mais sentido para a sua realidade institucional. Saímos daqueles estágios iniciais de incertezas, vimos que é possível e, agora, temos de decidir como fazer”, avalia Fabio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin, destacando que boa parte dessa visão foi construída a partir da experiência na iniciativa FIIMP – Fundações e Institutos de Impacto.

O grupo teve sua origem no Lab de Inovação em Finanças Sociais realizado pela Força Tarefa de Finanças Sociais (FTFS), em 2016, inspirados pela recomendação nº 2 que trata do protagonismo dos institutos e fundações no tema. A partir daí, organizou-se como um grupo independente e com uma estrutura de governança própria.

Reunindo 22 fundações e institutos familiares, empresariais e independentes, o grupo tem como proposta aprender, acompanhar e conhecer os resultados de investimentos em negócios de impacto, experimentando o uso de diferentes instrumentos financeiros. Cada investidor aportou 10 mil dólares para a iniciativa começar a rodar em 2017. Entre as diversas opções disponíveis, o FIIMP testou três instrumentos financeiros diferentes por meio de três intermediários, a SITAWI Finanças do Bem, a Bemtevi e a Din4mo Ventures.

No primeiro caso, a SITAWI Finanças do Bem foi o parceiro escolhido para estruturar a primeira ‘garantia de empréstimo socioambiental’ para um negócio de impacto no Brasil. A operação envolve tanto uma parceria com uma instituição financeira tradicional, quanto a seleção de um negócio de impacto que atenda aos critérios da mesma. No segundo caso, o intermediário financeiro foi a Din4mo, e foram dois negócios investidos: Mais 60 Saúde e Vivenda, pelo instrumento de ‘título de dívida conversível (TDC)’, em dois formatos negociados por meio da plataforma Broota. No terceiro caso, o intermediário financeiro foi a Bemtevi, que investiu no Projeto da Cozinha Criativa, da Agência Solano Trindade, e na empresa Descarte Correto, por meio do instrumento ‘dívida’.

Além do aporte de recursos, o FIIMP estabeleceu uma governança interna para fomentar a participação ativa dos institutos e fundações em grupos de trabalho (comunicação, operações etc.), a fim de que todos pudessem aprender de fato com o processo. Muitos dos participantes se aproximaram diretamente também dos três intermediários, que abriram a oportunidade para os investidores conhecerem os processos internos e participarem da prospecção e também seleção dos negócios, por exemplo, entendendo os critérios utilizados.

“Essa governança horizontal, permitiu a formação de um grupo coeso e integrado. Percebemos o quanto essa atuação entre pares é realmente poderosa. Ter vários institutos e fundações trabalhando juntos traz uma credibilidade e força interna nas próprias organizações. E isso ajudou, inclusive, muitos investidores a destravar barreiras sobre o tema, como jurídicas, institucionais, contábeis. Além disso, conseguimos atuar de uma forma diferente do que costumamos enquanto institutos e fundações. Como a iniciativa surgiu a partir de um protótipo,  atuamos mais próximos da lógica das startups, em que se coloca a ideia na prática, corrige, reconstrói, faz de novo”, completa o gerente do Instituto Sabin.

O coletivo se reuniu em março para avaliar o primeiro ano de atividades e discutir os próximos passos, se seguirá para uma segunda, por exemplo, e já prepara o lançamento de um guia para ajudar outros institutos e fundações que queiram navegar nessas águas.