Articulação e Redes

O Fundo Vale acredita em uma abordagem colaborativa estratégica, complementar às ações desenvolvidas por seus projetos, que contribua para o avanço dos temas transversais da sustentabilidade e da agenda socioambiental no Brasil. É nesta lógica que participa de diferentes colegiados e redes, promovendo articulações com atores governamentais e da sociedade civil.

Programa Novo Campo

O ganho de escala a partir dos aprendizados e de multiplicação dos resultados se repete no campo da pecuária de baixo carbono, a partir das experiências desenvolvidas em Alta Floresta (MT) pelo Instituto Centro de Vida (ICV). Os bons resultados obtidos no projeto Pecuária Integrada de Baixo Carbono, que contou com o apoio do Fundo Vale desde 2012, contribuíram para o lançamento, em 2014, do Programa Novo Campo, que nasce com uma meta de atender a um maior número de fazendas de gado e municípios na região. O Fundo Vale é membro do Comitê Gestor do Programa.

O Programa Novo Campo, de adesão voluntária, promove práticas sustentáveis em fazendas de pecuária na Amazônia, melhorando o seu desempenho econômico, social e ambiental. Com isso, contribui para reduzir o desmatamento, conservar ou recuperar os recursos naturais e fortalecer a economia local.

Para fazer parte, pecuaristas, frigoríficos, empresas de varejo, instituições financeiras, empresas ou profissionais de assistência técnica precisam atender alguns critérios e compromissos pré-estabelecidos. Isso é importante para garantir a sustentabilidade em toda a cadeia de pecuária.

O funcionamento é baseado em seis componentes principais que tratam da mobilização dos pecuaristas, da formação de profissionais de assistência técnica, da premiação do produto pelos compradores, do financiamento para os investimentos, do monitoramento e rastreabilidade da cadeia, e da integração com políticas de desenvolvimento territorial

PMS – Programa Mato-grossense de Municípios Sustentáveis

Sabendo o tamanho do desafio que envolve reverter o cenário de desmatamento no Mato Grosso, o Fundo Vale desde 2011 é parceiro do Instituto Centro de Vida (ICV) em iniciativas voltadas à melhoria da gestão socioambiental, à produção sustentável e ao fortalecimento sociocultural e econômico das diversas populações locais, com foco nos municípios de Cotriguaçu e Alta Floresta.

Esse movimento foi se ampliando pelo Estado e, em 2013, se concretizou na articulação de municípios, consórcios e organizações da sociedade civil em torno de uma agenda comum: a sustentabilidade do território. Essa agenda ganhou força e resultou na criação do Programa Mato-grossense de Municípios Sustentáveis (PMS), lançado oficialmente pelo governo estadual em março de 2014.

Para zelar pelo cumprimento dos objetivos e ações do programa, foi instituído um Comitê Gestor que reúne instâncias públicas e organizações que fizeram parte da criação do PMS, entre elas o ICV, o Instituto Socioambiental (ISA) e o Fundo Vale. Já em 2014, além da adesão de quase 30 municípios, o PMS desenvolveu um plano de metas voltado à redução do desmatamento.

PMV – Programa Municípios Verdes do Estado do Pará

O combate ao desmatamento ilegal e a eficiência na gestão ambiental, aliados a uma nova economia, têm alicerçado as políticas de investimento do Fundo Vale, que desde sua criação adotou o termo “Municípios Verdes” entre os próprios programas de trabalho. A primeira experiência foi em Paragominas, onde conseguiu unir atores sociais e fortalecer uma agenda de sustentabilidade que já estava em curso, agilizando a transformação do município.

O pacto em torno de uma agenda comum entre sociedade civil, setor produtivo e poder público local é o principal vetor da mudança. O Programa Munícipios Verdes do Pará, lançado em 2011, inspirou-se no exemplo de  Paragominas, uma das experiências mais bem-sucedidas de crescimento econômico aliado ao respeito pelo meio ambiente. O Fundo Vale é membro fundador do PMV, colaborou com a estruturação e fortalecimento da gestão do programa, e hoje é parte de seu Conselho Gestor (COGES).

Recam – Rede de Capacitação da Amazônia

Criada no final de 2013, a Rede de Capacitação da Amazônia – Recam é uma iniciativa colaborativa de organizações socioambientais que atuam na Amazônia promovendo a capacitação como um pilar para fortalecer a gestão social, ambiental e econômica em nível municipal. O Fundo vale participou da concepção e criação da Recam, sendo um de seus membros fundadores.

Um dos principais gargalos para uma mudança de rumo no modelo de desenvolvimento dos municípios Amazônicos é a fragilidade técnica e administrativa dos gestores municipais. Reflexo da falta de investimento na gestão ambiental local, acaba refletindo na baixa capacidade dos órgãos ambientais, no nível municipal.

Neste contexto, a Recam surge com o objetivo de fortalecer e dar escala a iniciativas que visem qualificar o capital humano e social nos municípios da Amazônia, facilitando e ampliando debate sobre o desenvolvimento local sustentável.

Para a Recam, “capacitar” vai muito além de promover cursos, seminários ou oficinas. Trata-se de estimular a construção de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades, atitudes e comportamentos necessários ao desempenho de competências que fortaleçam a governança socioambiental municipal. Pode envolver diferentes formas de troca de conhecimento, em espaços diversos, como intercâmbios, eventos, publicações e instâncias de participação social.

Fazem parte da Recam: Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé; ECAM – Equipe de Conservação da Amazônia; Fundação Avina; Fundo Vale; Ibam – Instituto Brasileiro de Administração Municipal; ICV – Instituto Centro de Vida; Idesam – Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas; Imazon – Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia; Ipam – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia; Universidade da Flórida (EUA); FVA – Fundação Vitória Amazônica; ISA – Instituto Socioambiental; PMV – Programa Municípios Verdes (PA).

Iniciativa Amapá

A Iniciativa Amapá é um programa que tem por objetivo fomentar o desenvolvimento de iniciativas socioeconômicas e ambientais, que promovam a transição de uma economia convencional para uma economia verde.  É resultado de uma parceria entre o Estado do Amapá, a Conservação Internacional e o Fundo Vale.

O objetivo é desenvolver um programa dinâmico e de longo-prazo, voltado para a valorização do capital natural e o desenvolvimento sustentável no Estado.  As ações estão organizadas em quatro eixos temáticos: pagamentos por serviços ambientais; áreas protegidas; ordenamento territorial; e cadeias produtivas da sociobiodiversidade.

As ações têm como foco estratégico os temas fortalecimento social; ciência para tomada de decisão; políticas públicas; governança e instituições; arranjos econômicos; e monitoramento dos resultados.

PDA Doce - Programa de Disponibilidade de Água do Rio Doce

Desde o final de 2014, o Fundo Vale busca entender os principais vetores que impactam e que podem trazer a sustentabilidade para o bioma Mata Atlântica, com vistas a ampliar o seu campo de atuação para o futuro. Para isso, desenvolveu um diagnóstico baseado em metodologias de inteligência de redes que contou com a participação de mais de 200 pessoas de referência no bioma.  Os resultados estão disponíveis em http://www.diagnosticodamataatlantica.org/ .

A Bacia Hidrográfica do Rio Doce (MG/ES) despontou no diagnóstico como um possível território de atuação, especialmente devido à crise hídrica que se agravou em 2014. Buscando se aproximar das ações já desenvolvidas na região, e conhecer melhor os atores locais, o Fundo Vale assinou em setembro de 2015 o termo de adesão ao Programa de Disponibilidade de Água do Rio Doce. Conhecido como PDA-Doce, a iniciativa é liderada pelo Instituto Bioatlântica (Ibio) e tem por objetivo fomentar e otimizar ações para a recuperação da disponibilidade de água nesse território, por meio da integração e articulação entre diversos atores.

O PDA-Doce tem como pilares de sua estratégia a articulação entre os diversos setores interessados; a identificação de vulnerabilidades e priorização de áreas críticas; e a captação e fomento de recursos financeiros públicos e privados. É uma iniciativa multi-institucional que busca captar e direcionar recursos (financeiros ou não) para ações de recuperação da vegetação nativa, agricultura sustentável e uso racional da água.