Programas

As iniciativas e projetos desenvolvidos pelo Fundo Vale estão agrupados em três programas de trabalho: Municípios Verdes; Áreas Protegidas e Biodiversidade; e Monitoramento Estratégico.

Os projetos apoiados podem abranger mais de um programa em suas atividades. A ideia é que esses programas funcionem como eixos complementares de uma visão estratégica mais ampla sobre os territórios e temas.


MUNICÍPIOS VERDES: Apoia uma nova agenda de desenvolvimento sustentável dos municípios, com engajamento dos atores locais, conciliando gestão ambiental efetiva e economia local de base sustentável.


ÁREAS PROTEGIDAS E BIODIVERSIDADE: Visa promover a gestão integrada das áreas protegidas, em conexão e sinergia com as estratégias de desenvolvimento local, regional e nacional, de forma a demonstrar a sua contribuição para os territórios e garantir a sustentabilidade destas áreas e de seus povos.


MONITORAMENTO ESTRATÉGICO: Busca potencializar iniciativas de monitoramento e políticas de intervenção, com base na geração e uso de informação estratégica para a conservação dos recursos naturais, a redução da sua degradação e o desenvolvimento sustentável das populações locais.


Além de se enquadrar nos programas de trabalho, os projetos apoiados desenvolvem ações com foco nos seguintes temas estruturantes:

– Mecanismos de governança
– Fortalecimento da sociedade civil
– Nova economia
– Ordenamento territorial
– Incidência em políticas públicas
– Geração e disseminação de conhecimento

Costa Amazônica

Diálogo e empoderamento para construir legado

A Costa Amazônica, território que vai do Amapá ao Maranhão, abrange 9 mil km2 e correspondem a 70% dos manguezais do Brasil. Forma o maior cinturão contínuo de manguezais do mundo, sendo refúgio de diversas espécies de crustáceos, peixes, moluscos e aves marinhas. Detém o maior arquipelágo flúvio-marítimo do mundo, o Marajó, banhado pelos rios Amazonas e Tocantins, e pelo Oceano Atlântico.

Essa abundância de recursos naturais, de inigualável biodiversidade e importância ecológica, se contrapõe à dura realidade das comunidades locais. Detendo conhecimentos tradicionais centenários, essas populações são os principais meios de conservação da biodiversidade, mas dependem dos recursos naturais para sua sobrevivência.

A partir do grande desafio que isso representa, o Fundo Vale apoia seus parceiros no território – o IEB, o IFT, o GTA e a Unesco – numa estratégia de ação focada na promoção do diálogo e construção de sinergias com diversos atores sociais e governamentais, para o desenvolvimento de uma economia mais sustentável.

Corredor Tapajos

Uma nova economia estimulada pelo manejo florestal familiar nas comunidades

Com 25% do potencial hidrelétrico da Amazônia, a Bacia do Tapajós responde por 70% do potencial nacional remanescente e é a nova fronteira para a construção de hidrelétricas no bioma, com mais de 40 unidades planejadas. A região resguarda um bloco de áreas protegidas que fazem frente à pressão econômica exercida pela pecuária, ao Sul, e pela exploração madeireira ilegal, ao norte. Val destacar também que o Corredor Tapajós é um dos territórios com maior número de assentamentos no estado do Pará, muitos deles instalados ao longo da BR-163.

Junto com seus parceiros IEB e Saúde e Alegria, o Fundo Vale vem apoiando ações que promovam uma nova perspectiva de desenvolvimento sustentável na região. A aposta teve como foco duas atividades econômicas: a agricultura familiar e o Manejo Florestal Comunitário Familiar (MFCF), aliando a eles processos de fortalecimento comunitário, disseminação de conhecimento e melhorias das condições básicas de vida. A ideia é fortalecer a governança local e os meios de produção sustentável, como forma de conter a crescente pressão de degradação e desmatamento ilegal no território.

Corredor Xingu

Valorização da floresta e da diversidade cultural

Lugar de encontros entre a diversidade ambiental dos biomas do Cerrado e da Amazônia, a Bacia do Rio Xingu tem solo marcado por riquezas sociais e culturais. A população é formada principalmente por extrativistas, ribeirinhos, agricultores familiares e 26 povos indígenas. Com 21,6% de território desmatado, a Bacia tem mais 28 de milhões de hectares de extensão, que abrangem 40 municípios nos estados do Pará e Mato Grosso. São 20 terras indígenas e 10 unidades de conservação em um dos mais importantes mosaicos de áreas protegidas do mundo.

Tão complexo quanto seu ecossistema é o perfil de ocupação humana ao longo do Corredor Xingu. Tão necessária quanto a conservação de sua biodiversidade é a conexão e integração entre seus mais diversos habitantes. O Fundo Vale e seus parceiros enxergam no Corredor Xingu um momento promissor, em que jovens lideranças surgem cientes da importância de sua história e de seu papel na construção do futuro, e onde uma economia baseada no uso sustentável da Floresta vem ganhando força. Um momento em que as ações desenvolvidas na esfera local podem ultrapassar fronteiras, seja na forma de manejar a terra, na valorização de seus produtos, ou no cuidado de suas comunidades que, pela primeira vez, conhecem um pouco melhor o que é saúde e educação.

Acre, Rondônia e Mato Grosso

Diálogo, parceria e articulação como fatores de transformação

Na terra de Chico Mendes, o seringalista cuja luta em defesa da floresta ganhou o mundo, a agenda ambiental se transformou ao longo do tempo em uma das mais avançadas do Brasil. Com a criação em 1990 da Reserva Extrativista Alto Juruá, a primeira do país, o Acre deu o ponto de partida oficial na trajetória de fortalecimento dessa agenda. A instituição do Sistema Estadual de Incentivo a Serviços Ambientais (SISA), uma política pública para fomentar e reconhecer práticas sustentáveis em setores da sociedade civil, marca a consolidação do olhar pautado no desenvolvimento socioambiental e valoriza, de forma pioneira, o papel dos povos indígenas na proteção dos recursos naturais.

Nos estados vizinhos, Rondônia e Mato Grosso, a realidade é bem diferente. Tão diferentes em suas políticas públicas e em seus avanços na agenda socioambiental, a fronteira do Arco do Desmatamento, têm em comum uma rica diversidade de populações tradicionais, com destaque para os povos indígenas distribuídos em 107 territórios.

A partir da articulação e do diálogo permanente com parceiros de reconhecida atuação nesses três Estados, o Fundo Vale vem buscando deixar um legado positivo. As parcerias realizadas nos últimos anos impulsionaram a articulação da sociedade para promover mudanças e fortaleceram o surgimento de novos atores sociais e de espaços de gestão participativa, beneficiando tanto povos indígenas, quanto produtores, comunidades e governos locais.

Sul do Amazonas

Fortalecimento social e nova economia como instrumentos para o desenvolvimento ambiental

Região de fronteira com os estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso, o sul do Amazonas sofreu no decorrer dos anos processos de grilagem de terra, conversão da floresta em pastagem e exploração ilegal de madeira. A pavimentação de estradas, como a BR-317, a BR-364 e Transamazônica, acelera o processo de desmatamento regional. Hoje a região é vista como a grande fronteira para o avanço de atividades econômicas tradicionais (como pecuária e agricultura) e exploração ilegal da madeira sobre a floresta Amazônica. A baixa regularização fundiária do território agrava esse contexto e deixa a sociedade local, especialmente os produtores, em um quadro de fragilidade sobre a posse de suas terras e o acesso às políticas públicas ambientais e econômicas.

A forma encontrada pelo Fundo Vale e seus parceiros para criar uma linha de resistência foi apoiar a conquista dos direitos fundiários das comunidades locais, fortalecer os processos coletivos de tomada de decisão e, em paralelo, tornar o território um laboratório de práticas inovadoras na agricultura, pecuária e manejo florestal, colocando a conservação e uso sustentável da floresta como instrumento para aumento de renda dos produtores e extrativistas.

Ao lado de parceiros como o Idesam, IEB e IFT, o Fundo Vale apoia ações que buscam a qualificação da produção local (com destaque para a produção pecuária, de café e o manejo florestal comunitário da madeira), o empoderamento social e a melhoria da articulação da sociedade com atores governamentais. Assim, o Fundo acredita que pode dinamizar a transformação da região, inserindo-a no mapa das políticas públicas e na vanguarda da produção sustentável.

Bacia do Rio Negro

Articulação e economia de base sustentável contra a expansão do desmatamento ilegal

Localizada na região noroeste da Amazônia, a Bacia do Rio Negro tem mais de 70 milhões de hectares de extensão e uma população superior a 2,5 milhões de habitantes. A Bacia surge na Colômbia, envolve parte da Venezuela e o extremo oeste da Guiana até chegar ao Brasil. O Rio Negro é o segundo maior do mundo em volume de água. O território tem aproximadamente 700 rios, 8 mil igarapés, 500 lagos e um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo, Anavilhanas, com mais de 400 ilhas. Um intenso processo de degradação socioambiental vem se instalando na região por conta da extração ilegal de madeira e das queimadas.

Somado às pressões econômicas comuns a todo o território amazônico, a região do Rio Negro, no Amazonas, conta com um fator a mais: a proximidade com a capital Manaus. Os municípios próximos à Região Metropolitana vivem o reflexo da expansão da malha urbana e dos grandes investimentos em infraestrutura implementados nos últimos anos. Esses fatores aumentam ainda mais a pressão sobre as florestas e sobre os recursos da biodiversidade, especialmente em unidades de conservação e terras indígenas, exigindo articulação de novas estratégias e atores para controlar o impacto ao meio ambiente.

Neste sentido, o Fundo Vale buscou parcerias capazes de diversificar as atividades econômicas já desenvolvidas na região, como o turismo de base comunitária e o manejo da cadeia da castanha, além de dinamizar a agenda de fortalecimento da gestão ambiental dos municípios vizinhos.