
A recuperação de áreas se consolidou como um importante eixo da Meta Florestal 2030 da Vale para promover inovação e gerar impactos socioambientais positivos nos territórios. A atuação combina sistemas de manejo sustentáveis, soluções financeiras inovadoras, e apoio técnico para impulsionar uma economia baseada na floresta em pé.
Modelo integrado de recuperação de áreas
A estratégia de recuperação é executada por meio da gestão do Fundo Vale, que opera uma rede de negócios de impacto socioambiental positivo e parceiros estratégicos. Esses negócios são responsáveis pela implantação das áreas utilizando sistemas produtivos sustentáveis e de regeneração natural, que buscam gerar renda, recuperar a biodiversidade e apoiar o desenvolvimento de comunidades rurais.
O modelo reúne quatro frentes essenciais: Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), soluções financeiras, apoio à comercialização e articulação comunitária. Essa combinação tem o objetivo de fortalecer a capacidade de atuação dos negócios, para que eles possam escalar seus projetos, atuar em cadeias produtivas mais sustentáveis e ampliar o impacto socioambiental positivo no longo prazo.
“Testamos diferentes estratégias de atuação e hoje contabilizamos 20 mil hectares em processo de recuperação. Mais do que o número de hectares, o valor dessa jornada está no aprendizado técnico, financeiro e institucional que acumulamos e que queremos colocar a serviço da agenda de restauração florestal”, afirma Juliana Vilhena, gerente de Estratégia, Gestão e Impacto do Fundo Vale.
Quem implementa a recuperação
A recuperação é realizada diretamente por negócios apoiados pelo Fundo Vale e um fundo florestal. São eles que estruturam, implantam e manejam os sistemas sustentáveis, utilizando experiência agrícola e técnicas adaptadas a cada realidade territorial.
Entre os empreendimentos já apoiados pelo Fundo Vale estão Belterra Agroflorestas, Caaporã Agrosilvipastoril, Inocas, Regenera e Bioenergia Orgânicos. Outras organizações – como Radix Investimentos, CAMTA, Futuro Agroflorestal e Couregous Land – receberam apoio para Provas de Conceito (PoCs).
Os negócios apoiados adotam diferentes modelos produtivos ajustados às condições ambientais e socioeconômicas de cada região. Entre os sistemas fomentados até o momento estão: Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistemas Silvipastoris; Sistemas Agrosilvipastoris (ILPF – Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) e Regeneração Natural Assistida.
Esses sistemas podem integrar recuperação ecológica, produção agrícola e geração de renda, ampliando a diversidade de espécies e fortalecendo a resiliência ambiental das áreas. Os arranjos contemplam uma variedade de culturas e produtos, incluindo cacau, banana, açaí, mandioca, castanha, baru, cumaru e proteína animal, entre outros.
Fomento aos negócios: apoio financeiro e não financeiro
O Fundo Vale atua para identificar, selecionar e apoiar negócios com potencial de impacto socioambiental positivo. Após o mapeamento das iniciativas e definição do portfólio, entra em cena uma estratégia de blended finance, que busca combinar recursos filantrópicos e privado para reduzir riscos, viabilizar a ampliação da escala dos empreendimentos e gerar impacto socioambiental positivo.
Além do aporte financeiro, o Fundo Vale mobiliza uma rede de parceiros, que incluem organizações da sociedade civil, aceleradoras e instituições técnicas que oferecem suporte organizacional, fortalecimento de governança, apoio operacional e salvaguardas socioambientais. Esse arranjo tem como objetivo ampliar a eficácia da implantação e a solidez dos negócios ao longo do tempo.
Os empreendimentos recebem suporte para estruturar processos de gestão e controle, aprimorar sua governança, acompanhar seu impacto socioambiental e qualificar fluxos de coleta e uso de dados. O apoio é realizado por especialistas combinando acompanhamento presencial e remoto. As mentorias individuais, voltadas majoritariamente para CEOs, complementam o processo ao fortalecer a liderança e a visão estratégica de cada negócio.
Outra frente de atuação prevista inclui articulação com compradores estratégicos ao longo da cadeia de valor, a fim de promover segurança comercial, previsibilidade de demanda e viabilidade econômica.
Atuação em diferentes regiões e biomas
A iniciativa abrange múltiplos biomas porque todos apresentam oportunidades e desafios relevantes de recuperação. A estratégia considera o potencial de crescimento de cada negócio e sua capacidade de contribuir para a meta geral de recuperação, independentemente da região. Essa diversidade territorial acelera o desenvolvimento de novos modelos de produção sustentável.
Hoje, as áreas recuperadas estão distribuídas entre quatro biomas:
- Cerrado: 42,5%
- Amazônia: 36,4%
- Caatinga: 11,3%
- Mata Atlântica: 5,7%
Diversidade biológica e espécies utilizadas
Até o momento, a recuperação das áreas contou com o uso de 75 espécies vegetais diferentes, das quais 60% são nativas do Brasil. A diversidade favorece a recomposição ecológica, contribui para a conectividade entre habitats e fortalece a resiliência ambiental.
Impactos socioeconômicos
A recuperação das áreas está associada a impactos positivos além dos benefícios ambientais. Entre eles:
- Geração de postos de trabalho diretos e indiretos;
- Aumento da renda de famílias e produtores envolvidos;
- Fortalecimento econômico dos negócios e das comunidades;
- Formação técnica e qualificação profissional por meio de ATER.
Esse conjunto de ações contribui para ampliar a inclusão produtiva e fortalecer economias locais baseadas em práticas sustentáveis.