16/12/25
Saíra-apunhalada (Nemosia rourei). Foto: Gustavo Magnago

A proteção de florestas e da biodiversidade é hoje uma das frentes mais estratégicas da Vale. Em um cenário de perda acelerada de habitats, mudanças no uso da terra e eventos climáticos extremos, proteger os ecossistemas se tornou essencial não apenas para a manutenção da vida – mas também para a sustentabilidade do próprio negócio. 

Com esse propósito, a Vale assumiu voluntariamente o compromisso de recuperar e proteger 500 mil hectares de florestas além de suas fronteiras. Desse total: 

  • 100 mil hectares são destinados à recuperação florestal, em iniciativas estruturadas e conduzidas pelo Fundo Vale; 
  • 400 mil hectares correspondem à proteção de áreas naturais, frente liderada pela Reserva Natural Vale, que compartilha sua expertise em gestão de áreas protegidas. 

Essa atuação se materializa principalmente no fortalecimento da proteção ecossistêmica, no monitoramento da biodiversidade e no apoio à gestão de áreas conservadas. Atualmente, esse trabalho ocorre em parceria com Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Estadual do Ambiente (Inea- Rio de Janeiro) e Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA – Espírito Santo).  

Hoje a Meta de Proteção atua em 115 mil hectares, distribuídos em sete unidades de conservação: Reserva Biológica da Mata Escura (MG – ICMBio), Reserva Biológica de Duas Bocas (ES- Iema), Monumento Natural Estadual Serra das Torres (ES – Iema), Floresta Nacional de Goytacazes (ES- ICMBio), Reserva Biológica Augusto Ruschi (ES – ICMBio), Parque Estadual Cunhambebe (RJ – Inea) e Reserva Biológica União (RJ-ICMBio). 

A estratégia da Meta Florestal 2030 da Vale também responde a compromissos globais. O Marco Global da Biodiversidade estabeleceu a meta “30×30”: proteger 30% das áreas terrestres e aquáticas do planeta até 2030. Alcançar esse objetivo exige que governos e setor privado somem esforços com investimentos, tecnologia e parcerias locais – um caminho que a Vale adota ao apoiar Unidades de Conservação (UCs) em áreas prioritárias.  

“Nossa experiência na frente de proteção da Meta Florestal 2030 mostra o potencial de atuação quando setor privado, governos, ciência e comunidades trabalham lado a lado no combate à crise climática. Ao direcionarmos investimentos para áreas prioritárias, fortalecermos a gestão das Unidades de Conservação e ampliarmos a base de conhecimento científico, contribuímos para proteger ecossistemas essenciais e apoiar o avanço rumo às metas de clima e biodiversidade globais. Esse é um compromisso que assumimos não apenas com o presente, mas com o futuro das florestas brasileiras – e com os povos e espécies que dependem delas”, afirma Marcio Santos Ferreira, gerente de Recursos Naturais e Áreas Protegidas da Vale.  

Como as áreas de proteção foram escolhidas: critérios técnicos e socioambientais 

O Brasil possui mais de 3.100 UCs registradas no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC), além de outras áreas que ainda não constam neste sistema. Para definir onde concentrar esforços, a Meta Florestal criou uma matriz de prioridades, orientada por critérios sociais, ambientais e econômicos. Entre eles:   

  • Relevância da biodiversidade e presença de hotspots; 
  • Estado de conservação e vulnerabilidades; 
  • Potencial para ecoturismo e educação ambiental; 
  • Produção de conhecimento científico; 
  • Relação com comunidades locais; 
  • Interação com ONGs e instituições de proteção. 

Essa abordagem permitiu selecionar áreas onde o apoio traria maior impacto para a conservação e o fortalecimento da gestão. 

Estratégias de proteção  

A Vale e os órgãos gestores das UCs formam um comitê técnico, responsável por definir e acompanhar os planos de trabalho anuais. Esse modelo garante que as ações sejam alinhadas às necessidades reais das áreas e às prioridades de conservação. Nesses acordos, não há o repasse direto de recursos financeiros, constituindo o investimento por meio de doações de bens, materiais e prestação de serviços estratégicos para a viabilização das áreas de proteção ecossistêmica e conservação das áreas. 

Alguns exemplos das ações desenvolvidas:  

  • Apoio ao monitoramento da biodiversidade e estudos científicos; 
  • Doação de equipamentos estratégicos (barco para monitoramentos de corpos hídricos, drones com câmera termal para monitoramento da biodiversidade e áreas desmatadas, câmeras trap, equipamentos de prevenção e combate a incêndios, entre outros);  
  • Prevenção e combate a incêndios florestais;  
  • Manutenção de veículos e equipamentos, essenciais para a viabilização dos monitoramentos, ações de fiscalização, bem como prevenção e combate a incêndios; 
  • Contratação de monitores  
  • Ações de educação e sensibilização com comunidades e visitantes; 

Resultado: mais conhecimento sobre biodiversidade  

As parcerias da RNV com as UCs têm fortalecido o monitoramento ambiental e ampliado o conhecimento sobre a fauna e a flora das áreas apoiadas. Até o momento, foram registradas mais de 1.200 espécies, muitas delas nunca observadas e documentadas oficialmente nas unidades.  

O trabalho também já identificou cerca de 300 espécies ameaçadas de extinção, incluindo registros emblemáticos – como o retorno da anta (Tapirus terrestris) ao Parque Estadual Cunhambebe, onde era considerada extinta há mais de 100 anos e a descoberta do maior jequitibá do Brasil na Mata Atlântica, na Reserva Biológica da Mata Escura.  

Esse conhecimento subsidia estratégias mais eficazes de conservação e contribui para a ampliação do legado científico sobre a Mata Atlântica. 

Comunidades no centro da conservação: geração de renda e inclusão 

Grande parte das UCs apoiadas têm comunidades vivendo no entorno – e, em alguns casos, dentro da própria área, como quilombolas. A estratégia da Meta Florestal prioriza o envolvimento dessas populações para criar relações de confiança e promover um modelo de conservação participativo. Essa integração fortalece o sentimento de pertencimento e amplia o impacto socioambiental do projeto. 

As ações incluem: 

  • Atividades em escolas e municípios vizinhos; 
  • Oficinas sobre agricultura sustentável, meliponicultura e práticas produtivas de baixo impacto; 
  • Geração de renda por meio da contratação de fornecedores das comunidades.