16/12/25

Indo além da implementação de sistemas sustentáveis para o cumprimento da frente de recuperação da Meta Florestal 2030, o Fundo Vale atua por meio de uma rede de parceiros para produzir conhecimento científico e fortalecer o ecossistema de impacto.

São iniciativas para fomentar a sustentabilidade nas cadeias de valor relacionadas à restauração produtiva por meio de iniciativas de capacitação, desenvolvimento e implantação de áreas piloto de plantio e sistemas produtivos de referência; apoio à pesquisa e disseminação de conhecimento relacionado aos sistemas agroflorestais e inovação aplicada a salvaguardas socioambientais de projetos.

Estudo da saúde do solo em áreas em recuperação

O ITV monitora a saúde do solo em áreas degradadas, áreas em recuperação em diferentes idades e áreas de floresta nativa. O objetivo é entender como a atividade biológica e as funções ligadas à acumulação de carbono evoluem ao longo do tempo. Com essa abordagem, o instituto vem consolidando uma base científica robusta para acompanhar a evolução da saúde do solo, da cobertura e da biodiversidade em áreas de recuperação vinculadas à Meta Florestal.

Os resultados indicam aumento da atividade biológica e das funções associadas ao carbono à medida que a recuperação avança, o que sugere melhora consistente da saúde do solo e maior capacidade de sustentar uma cobertura vegetal mais estável.

Método: Para conduzir essa pesquisa, o ITV utiliza infraestrutura avançada em biologia molecular e espectrometria de massa – ferramenta de laboratório de alta precisão aplicada ao estudo de solos em diferentes estágios de recuperação. São analisados genes e proteínas ligados aos ciclos de carbono, nitrogênio e fósforo, marcadores de fixação e mineralização de carbono, além de DNA e proteínas da microbiota do solo, permitindo transformar processos microscópicos em indicadores claros de qualidade do solo e de cobertura.

Mensuração de impacto: Dados químicos, físicos e biológicos alimentam um sistema de mensuração e gestão de impacto que reúne mapas, scores e filtros por prioridade, negócio e estado. O sistema diferencia parâmetros químicos e biológicos e permite que equipes de campo identifiquem se o solo apresenta tendência de melhora ou piora em função do manejo adotado. O objetivo é apoiar decisões técnicas que favoreçam solos mais saudáveis, maior cobertura, melhor ciclagem de nutrientes e maior acúmulo de carbono, fortalecendo a eficiência dos sistemas agroflorestais e de outras estratégias de recuperação ligadas à Meta Florestal.

Ampliação dos indicadores biológicos: Em paralelo, outras frentes de pesquisa do ITV avançam em metodologias de análises de DNA ambiental para monitorar fauna, insetos e flora em diferentes paisagens. A perspectiva é incorporar, de forma gradual, esses indicadores ao painel de monitoramento da recuperação.

Estudo sobre Vegetação Nativa

Com ênfase na recuperação da vegetação nativa, o ITV realizou análises científicas que identificam oportunidades para a recomposição de áreas alteradas em regiões do Brasil. O projeto analisou a conservação da vegetação em áreas protegidas e propriedades privadas, mapeando ameaças e potenciais para a restauração ambiental, incluindo a avaliação de adequação ambiental de imóveis rurais, visando a garantia do cumprimento de normas que integram produção sustentável e proteção ecológica.

No âmbito dos sistemas agroflorestais (SAFs), o instituto examinou a viabilidade socioeconômica desses sistemas em áreas de Canaã dos Carajás e Parauapebas, destacando benefícios para a geração de renda e a segurança produtiva. Adicionalmente, o ITV estimou o estoque de carbono nos SAFs de cacau, reforçando sua contribuição para o fortalecimento do ecossistema por meio de práticas de recuperação.

Estudo sobre produção de cacau em SAFs

Com foco na produção sustentável e na bioeconomia do cacau, o ITV endereça lacunas de conhecimento ao longo da cadeia produtiva, com ênfase em sistemas agroflorestais. O projeto realizou um diagnóstico da cadeia do cacau na Amazônia, avaliou os serviços ecossistêmicos de polinização e seu valor para sistemas agroflorestais e para a agricultura familiar, analisou a ocorrência de espécies benéficas à produção de frutos em relação à biodiversidade desses sistemas e avançou em pesquisas sobre a relação entre microrganismos e características sensoriais do cacau.

Como resultado, o projeto consolidou uma base técnica robusta, que inclui 11 artigos publicados, 4 artigos submetidos, 2 capítulos de livros, 1 nota técnica, 1 guia, 1 cartilha, 15 relatórios técnicos, além de 1 dissertação concluída e 1 em andamento no ITV, e 3 teses em andamento na UFPA, fortalecendo a geração de conhecimento aplicada à melhoria de práticas produtivas.

Negócios Socioambientais – Cadeia do Cacau

Com o objetivo de apoiar negócios socioambientais apoiados pelo Fundo Vale no âmbito da Meta Florestal, com ênfase em agroflorestas e restauração florestal, em continuidade ao projeto Cacau, o IT identificou os principais gargalos e desafios na estruturação de iniciativas de valorização dos bio-recursos na cadeia produtiva do cacau, realizou estudos sobre o estágio atual das cadeias na região em termos de nível tecnológico e organização socioeconômica, e avaliou o potencial de desenvolvimento da bioeconomia circular, o que fortalece práticas de recuperação florestal integradas à produção sustentável.

Adicionalmente, o ITV elaborou o diagnóstico da situação de passivo e excedente de florestas nas propriedades da Meta Florestal na Amazônia, cruzando esses dados com as áreas de sistemas agroflorestais (SAFs), para orientar estratégias de restauração produtiva que contribuam para a recuperação de áreas alteradas.

Como produtos científicos gerados, o projeto resultou em um manuscrito e uma nota técnica, que subsidiam decisões para o avanço de negócios socioambientais focados na restauração florestal.

Monitoramento de tecnologias agroflorestais de referência para mitigar a fome e mudanças climáticas.

A Embrapa, com apoio do Fundo Vale, desenvolve iniciativa de fortalecimento dos sistemas produtivos e da agricultura familiar por meio do desenvolvimento de sistemas agroflorestais (SAFs) de referência, que integram aumento de renda, mitigação da fome, combate às mudanças climáticas e melhora da qualidade de vida, com enfoque participativo e adaptado a cada região.

No Território Indígena Araribóia (MA), abrangendo 413 mil hectares e 251 aldeias, a iniciativa promoveu 3 encontros com 270 participantes para a co-criação de sistemas produtivos de referência. Adicionalmente, a Embrapa apoia 3 negócios de impacto associados à recuperação de 100 mil hectares, com treinamentos, visitas técnicas e monitoramento de indicadores via ferramenta AmazonSAF.

Cacau 2030: fortalecimento da cadeia produtiva e apoio à erradicação do trabalho análogo ao escravo no setor

Apoiado pelo Fundo Vale, o Projeto Cacau 2030, desenvolvido em parceria com o Imaflora e a CocoaAction Brasil, tem como objetivo recuperar áreas por meio da produção sustentável de cacau, com foco no fortalecimento da cadeia produtiva e na geração de benefícios diretos para produtores e cooperativas. A iniciativa integra produção, capacitação e comercialização, promove trabalho digno e incentiva práticas voltadas à maior qualidade e competitividade do cacau, incluindo a elaboração e publicação de um currículo de sustentabilidade específico para o setor.

Como resultados, a parceria com o Imaflora viabilizou a implementação de duas Unidades Demonstrativas de Produção de cacau nos de Uruará e Marabá (PA), além da qualificação de 413 agentes de assistência técnica e extensão rural (ATER), que ampliam o alcance das boas práticas produtivas em campo.

Em colaboração com o InPACTO, o projeto também lançou o IVI Cacau – Índice de Vulnerabilidade na cadeia do Cacau, ferramenta que apoia a erradicação do trabalho análogo ao escravo no setor e reforça o compromisso com uma cadeia de cacau mais responsável e sustentável.

Democratização do Conhecimento

Além de publicações científicas​ e técnicas, a Meta Florestal 2030 propiciou a confecção de produtos de conhecimento para a comunidade agrícola, como guias e cartilhas educativas, em parceria com o Imaflora, ITV, Pipe Social e WayCarbon.

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