20/03/26

Realizado com apoio estratégico do Fundo Vale, o relatório visa apoiar a Vale na transformação de compromissos em mecanismos práticos, ajudando a levar a agenda de impacto para o setor de compras 

Um novo estudo sobre compras de impacto em cadeias intensivas, desenvolvido pelo Fundo Vale em parceria com a Ago Social, mostra que a área de suprimentos pode desempenhar um papel muito além da simples contratação de bens e serviços. Em ambientes complexos e altamente dependentes de grandes fornecedores, como a mineração, a decisão de compra passa a arbitrar, ao mesmo tempo, continuidade operacional, custo, risco e efeitos socioambientais indiretos. 

O relatório “Compras de Impacto na Tomada de Decisão: desafios e direções para cadeias intensivas” analisam como critérios socioambientais podem ser incorporados de forma prática no dia a dia da função de suprimentos, sem criar camadas paralelas de burocracia e sem ignorar os limites reais do mercado fornecedor. 

Entendemos a inovação no Fundo Vale também como aquela que dá suporte para que as diversas áreas e iniciativas da companhia fortaleçam sua atuação, como na melhoria de processos. Este estudo é um exemplo disso: ele traz a ideia de compras de impacto como um campo de inovação organizacional. Em vez de criar mais camadas de regra, propõe priorizar, simplificar e integrar, para que sustentabilidade e impacto positivo entrem na mesa onde as decisões de compra são tomadas”, diz Giovana Serenato, da área de Inovação do Fundo Vale. 

O papel do Fundo Vale: catalisador de uma agenda de impacto 

No centro desse movimento está o Fundo Vale, organização que atua como catalisadora de inovação ambiental ligada ao negócio da Vale. O estudo visa aprimorar o trabalho já realizado pela área de Suprimentos da Vale no programa Compras Responsáveis e no Programa Partilhar, que vem gradualmente desenvolvendo muitas dessas estratégias.   

Ao apoiar a pesquisa, o Fundo Vale buscou responder a uma questão-chave: como fortalecer, de forma prática e governável, a capacidade da área de suprimentos de incorporar compras de impacto nos pontos reais de decisão? 

O estudo foi concebido como um benchmarking aplicado, combinando: 

  • Revisão de referências internacionais (OCDE, Banco Mundial, ISO 20400, Comissão Europeia, UN Global Compact, entre outros); 
  • Análise de documentos e processos internos da Vale; 
  • Entrevistas com profissionais experientes em compras sustentáveis e de impacto em grandes empresas com cadeias intensivas. 

Direções estratégicas: como tirar compras de impacto do papel 

A partir desse diagnóstico, a pesquisa propõe seis direções estratégicas para avançar, sempre com foco nos momentos em que a decisão de compra de fato acontece.  

  1. Reposicionar compras sustentáveis e de impacto como estratégia de valor 

Sustentabilidade passa a ser tratada como variável legítima de custo-benefício, especialmente em categorias priorizadas. Deixa de ser vista como custo adicional ou obrigação periférica. 

  1. Priorizar categorias e construir trajetórias progressivas 

Em vez de prometer impacto em toda a base, a Vale deve trabalhar com categorias-piloto, escolhidas por criticidade, materialidade ESG e viabilidade operacional. Três caminhos se destacam: impacto direto em categorias com margem de escolha; impacto indireto via grandes fornecedores, com exigências graduais e planos de melhoria; pilotos temático-territoriais, voltados a desafios específicos (como inclusão produtiva local). 

  1. Traduzir sustentabilidade em instrumentos compatíveis com a decisão de compras 

Adotar poucos critérios ESG claros na requisição e especificação; disponibilizar ao comprador uma leitura simples e integrada do desempenho ESG do fornecedor; definir regras de como esses critérios entram na equalização, junto com preço e prazo. 

  1. Alinhar incentivos, métricas e expectativas à agenda de impacto 

Diferenciar métricas de maturidade (processo/capacidade) e de resultado (efeito gerado); reconhecer decisões que incorporam critérios socioambientais, evitando que indicadores centrados só em custo penalizem quem tenta avançar. 

  1. Tratar inclusão e desenvolvimento de fornecedores como estratégia estruturante 

Integrar programas de compras locais, inclusão e desenvolvimento de fornecedores à estratégia de sourcing e à gestão de contratos. Decidir onde atuar por inclusão direta e onde atuar por exigências em cadeia junto aos fornecedores âncora. 

  1. Construir governança transversal para arbitrar trade-offs e proteger tempo decisório 

Criar um arranjo que articule suprimentos com sustentabilidade, SSMA, direitos humanos e integridade, com papéis claros e poder de decisão; estabelecer um rito para resolver conflitos entre custo, prazo e impacto em categorias priorizadas. 

Um “laboratório” de inovação organizacional 

Ao colocar foco no sistema de decisão, e não apenas em normas e políticas, o estudo sugere um relevante protagonismo da Vale como um potencial laboratório de inovação em compras de impacto. 

A pesquisa conclui que a agenda não avançará por universalização, mas por priorização, progressividade e clareza sobre onde há margem real de escolha e influência. Compras de impacto, nesse desenho, deixam de ser um ideal abstrato para se tornarem um campo concreto de decisão, ancorado em governança, métricas adequadas e na capacidade de a Vale usar seu poder de compra para proteger e gerar valor socioambiental.