24/07/26

Com patrocínio da Vale e Hydro, apoio do Banco da Amazônia, organização da Numerik e correalização de mais de 30 instituições sociais, privadas e governamentais, a programação incluiu temas como adaptação climática, economias regenerativas, sociobioeconomia, direitos territoriais, ciência, inovação e saúde.  

Com mais de 7,3 mil pessoas presentes, 220 horas de programação e mais de 70 eventos e atividades distribuídos por mais de 20 locais em Belém, a II Semana do Clima da Amazônia mobilizou a cidade de Belém entre 29 de junho e 4 de julho. A programação reuniu representantes dos territórios, da sociedade civil, do poder público, da ciência e do setor privado para aproximar os compromissos climáticos da COP30 das soluções práticas em curso na Amazônia. 

Primeiro grande encontro sobre clima sediado na capital paraense desde a COP30, o evento foi organizado pela Numerik, com patrocínio da Vale, Hydro e apoio do Banco da Amazônia. Os debates transitaram em seis eixos temáticos: transição energética, gestão de florestas e oceanos, agricultura, resiliência urbana, desenvolvimento humano e financiamento.  

A programação foi desenhada em consonância com a Agenda de Ação da COP30, conectando os compromissos a agendas operacionais. Os painéis autogestionados debateram soluções em pilares como transição justa, adaptação climática e fortalecimento da bioeconomia, além de temas transversais, como gênero e clima, e a prevenção de doenças agravadas por mudanças climáticas. Entre os destaques, o “Roadmap do Fim do Desmatamento: a Amazônia no Centro”, realizado pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), parceiro do Fundo Vale.  

Inteligência de dados e fortalecimento de infraestrutura para a bioeconomia  

O Fundo Vale foi uma das instituições correalizadoras e promoveu painéis voltados a dimensões estratégicas para que a bioeconomia amazônica ganhe escala. A mesa “Inteligência Territorial para a Bioeconomia da Amazônia” abordou o fato de que a maior parte da produção que sustenta a sociobioeconomia no bioma não aparece em estatísticas, sistemas de informação ou fluxos de investimento. Moderada por Márcia Soares, gerente Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, reuniu Rafaela Reis da Costa (IPAM), Rafael Feltran-Barbieri (WRI Brasil) e Francisco de Assis Costa (NAEA/UFPA). 

“Criar soluções de produção e integração de dados sobre a bioeconomia é fundamental para evidenciar o potencial econômico sustentável na Amazônia, orientar políticas públicas, decisões de investimento e estratégias de desenvolvimento baseadas na sociobiodiversidade”, afirma Márcia. 

A segunda conversa, “A Infraestrutura Invisível da Floresta em Pé”, mediada por Camila Maia, do Fundo Vale, reuniu Thiago Mantovani (Laboratório-Fábrica do Parque de Bioeconomia e Inovação do Pará), Juliana Teles (Impact Hub Manaus), Ana Claudia Torres Gonçalves (Instituto Mamirauá) e Adevaldo Dias (Memorial Chico Mendes). O debate foi sobre os gargalos estruturais que afetam a qualidade, conservação, armazenamento e logística de produtos, o que impacta na geração de valor e na produção em escala, e soluções já em operação.  

“O painel mostrou que não existe um modelo único de infraestrutura para a bioeconomia amazônica. Quando esses arranjos combinam infraestrutura física, conhecimento técnico, governança e protagonismo local, eles reduzem perdas, ampliam a qualidade dos produtos e ajudam a manter mais renda e valor nos territórios. Reconhecer e apoiar essa diversidade de soluções é essencial para transformar a floresta em pé em uma alternativa econômica concreta e duradoura”, comenta Camila Maia.  

Transição coletiva e justa  

Mais do que um calendário de debates, a Semana do Clima da Amazônia conectou perspectivas de pessoas dos territórios, da sociedade civil, do poder público, do mercado e da ciência. Isso reforça a tese de que o futuro da Amazônia é construído por meio de arranjos colaborativos que protegem a floresta e mitigam desigualdades históricas.