Participação do Fundo Vale em agenda do consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) reforçou a importância de integrar genômica, saberes tradicionais e inclusão justa em cadeias produtivas sustentáveis

Conhecer, proteger e valorizar a biodiversidade são etapas fundamentais para fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e promover a sociobioeconomia. Esse foi o tema central do workshop “Genômica de Espécies de Interesse Bioeconômico: Conexões que Geram Valor”, realizado no Instituto Tecnológico Vale em Belém (PA), entre 4 e 6 de agosto.
Promovido no âmbito do consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), parceria entre o Instituto Tecnológico Vale (ITV) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o objetivo do encontro foi integrar conhecimentos técnico-científicos, saberes tradicionais, cadeias produtivas e marcos regulatórios, e contribuir para a criação de estratégias e instrumentos voltados ao uso sustentável de espécies de interesse bioeconômico.
Ao longo de três dias, cerca de 60 participantes — entre pesquisadores e bolsistas do ITV, servidores do ICMBio e do Ibama e representantes do Fundo Vale — discutiram como a genômica pode apoiar a conservação e o desenvolvimento de cadeias produtivas mais justas e sustentáveis.
Ciência conectada aos territórios
Além dos conteúdos técnicos, o workshop promoveu o diálogo entre pesquisadores, gestores públicos, empresas e comunidades. A proposta foi reconhecer que soluções para a sociobioeconomia não dependem apenas de novas tecnologias ou informações científicas, mas também da escuta dos territórios, da valorização dos conhecimentos tradicionais e da construção de cadeias produtivas mais justas e sustentáveis.
Entre os temas discutidos estiveram as cadeias produtivas do pirarucu e do açaí em Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia, no âmbito do Programa Sustenta.Bio, uma parceria do Fundo Vale com o ICMBio. A iniciativa fortalece atividades econômicas em comunidades extrativistas e ribeirinhas, conciliando conservação da natureza a uma estratégia de apoio que inclui fortalecimento da organização socioprodutiva; acesso a mercados justos; capacitação e assistência técnica; investimentos e financiamento; infraestrutura e inovação.
O segundo dia incluiu uma apresentação sobre o programa ECOSociobio – política pública inspirada na experiência do Sustenta.Bio, que buscará abranger, de acordo com a análise de potencialidade, todo o sistema federal de UCs, que somam 347 unidades, com 171,8 milhões de hectares, e envolvem cerca de 100 mil famílias de povos e comunidades tradicionais.
Como encaminhamento, os participantes iniciaram a construção conjunta de uma carta de princípios para orientar projetos que envolvam espécies de interesse bioeconômico e a interação com comunidades.
“Gerar valor a partir da biodiversidade é mais do que transformar espécies de valor genético em produtos. É produzir conhecimento científico, valorizar o conhecimento de comunidades tradicionais, fortalecer a conservação ambiental e criar oportunidades para que os benefícios sejam construídos e compartilhados com as pessoas que vivem e trabalham nos territórios”, afirmou Patrícia Daros, diretora do Fundo Vale e vice-diretora do ITV, que participou do debate.
“A carta de princípios é um passo importante para consolidar a atuação do GBB em iniciativas que envolvam espécies de interesse bioeconômico e comunidades, com responsabilidade, respeito e visão de longo prazo”, afirmou Silvia Barreto, PMO do GBB no ITV.
O que é o GBB
O consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira é uma parceria técnico-científica entre o ITV e o ICMBio, instituída em 2022, que utiliza ferramentas genômicas para ampliar o conhecimento sobre espécies da biodiversidade brasileira e apoiar sua conservação. O projeto combina diferentes abordagens, como o sequenciamento de genomas completos, a análise da diversidade genética de populações e o estudo de DNA ambiental — material genético encontrado em amostras de água, solo ou outros ambientes.
Como órgão gestor das políticas públicas de conservação, o ICMBio é o responsável por definir as listas de espécies prioritárias. O foco do instituto está em direcionar os dados para apoiar os Planos de Ação Nacional (PANs) de espécies ameaçadas, o Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Programa Monitora) e o combate a espécies exóticas invasoras.
Sediado em Belém (PA), o Instituto Tecnológico Vale entra com a infraestrutura laboratorial de ponta, corpo de pesquisadores com expertise em ciências ômicas e aporte financeiro. O instituto é pioneiro em gerar milhares de marcadores genéticos e sequenciar genomas completos na Amazônia, garantindo a escala do projeto. Até junho de 2026, o consórcio estudou 837 espécies, realizou 1.983 sequenciamentos e reuniu 434 pesquisadores colaboradores de 145 instituições no Brasil e no exterior.