Boletins de previsão climática do Instituto Tecnológico Vale apontam riscos relacionados à disponibilidade de água e à irregularidade das chuvas, orientando os produtores no planejamento do plantio e no manejo das culturas agrícolas e florestais nos territórios

O Instituto Tecnológico Vale (ITV), por meio do Projeto Negócios Socioambientais, que conta com a apoio do Fundo Vale, produz boletins informativos de previsão climática sazonal para apoiar negócios de recuperação de áreas no âmbito da Meta Florestal 2030 da Vale, que estabelece o compromisso voluntário de proteger e recuperar 500 mil hectares até 2030 além das fronteiras operacionais da empresa. Elaborados com base em modelos estatísticos, os boletins apresentam previsões de chuva e temperatura, comparações com períodos anteriores e informações sobre armazenamento de água no solo.
A entrega traduz o conhecimento científico em informações que podem orientar decisões nos territórios: identificar janelas mais favoráveis ao plantio das culturas de interesse econômico, subsidiar o manejo da irrigação e apoiar a gestão preventiva de riscos climáticos, contribuindo para que os produtores adotem medidas de adaptação às condições climáticas desfavoráveis. É um exemplo de como a produção de conhecimento pode contribuir para a implantação e a continuidade das iniciativas de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e de sistemas silvipastoris apoiadas pelo Fundo Vale.
Os boletins de previsão climática para o trimestre de setembro, outubro e novembro de 2026 apresentaram projeções de precipitação, temperatura e disponibilidade de água no solo, considerando também possíveis efeitos associados ao fenômeno El Niño, nos municípios de quatro regiões do país onde estão sendo implementadas iniciativas de recuperação de áreas. Veja algumas recomendações:
Região Norte: chuvas abaixo da média histórica na maioria dos municípios; baixa reserva de água no solo em grande parte das áreas; temperaturas acima da média em boa parte do centro-sul do Pará e dos municípios do Tocantins. Recomenda-se aos produtores atenção especial ao estabelecimento e desenvolvimento inicial das mudas, com monitoramento da umidade do solo e adoção de irrigação suplementar, para minimizar os efeitos do déficit hídrico. Nas culturas do cacau e açaí, considerar os riscos do estresse hídrico que podem comprometer a produtividade e a qualidade da produção. Também intensificar as medidas de prevenção de incêndios, considerando as condições de baixa umidade e temperaturas elevadas.
Região Nordeste: chuvas abaixo da média nos quatro municípios baianos analisados, podendo aumentar os riscos de mortalidade de mudas, comprometer o estabelecimento e o desenvolvimento dos SAFs e a disponibilidade de pastagens. Nos sistemas com cacau, recomenda-se atenção especial às fases de floração, frutificação e enchimento das amêndoas, para não comprometer a produtividade causada pelo déficit hídrico. Recomenda-se, ainda, monitorar a umidade do solo e a adoção de práticas de irrigação suplementar.
Região Centro-Oeste: os municípios avaliados apresentaram áreas com armazenamento de água no solo inferior a 3%, indicando condições críticas de disponibilidade hídrica, apesar das diferenças nas previsões de precipitação. O alerta foi evitar o plantio de novas mudas após eventos isolados de chuva. Recomenda-se monitorar a umidade do solo, adotar práticas de conservação da água, realizar o manejo adequado da irrigação, quando disponível, e aguardar a regularização das chuvas antes de iniciar novos plantios.
Região Sudeste: chuvas acima da média histórica previstas para os seis municípios paulistas analisados, mas com possibilidade de distribuição irregular e veranicos, mantendo o risco de déficit hídrico no solo, mesmo diante de volumes acumulados de chuva superiores. Entre as recomendações, destaca-se a necessidade de acompanhamento da umidade do solo antes do plantio, manejo das culturas dos SAFs para uma produção segura, adotar práticas de conservação da água, visando reduzir os riscos climáticos e favorecer o desenvolvimento das espécies agrícolas e florestais.
“As previsões climáticas sazonais contribuem para o monitoramento do clima no curto prazo e fornecem informações importantes para antecipar riscos associados a incêndios e ao estresse hídrico das culturas de interesse econômico, além de subsidiar o planejamento das atividades agrícolas, a adoção de medidas preventivas e o uso eficiente dos recursos hídricos, considerando as condições climáticas de cada território”, – Maria Medeiros, ITV.
Sobre o Projeto Negócios Socioambientais
O objetivo da iniciativa é dar suporte aos negócios socioambientais no escopo da Meta Florestal da Vale, com ênfase em agroflorestas e recuperação de áreas, promovendo o desenvolvimento regional, o aumento da biodiversidade e a geração de oportunidades econômicas sustentáveis. Entre os resultados esperados, estão:
- Identificação dos principais gargalos e desafios na estruturação de iniciativas de valorização dos biorrecursos na cadeia produtiva do cacau e outros.
- Estudo do estágio atual das cadeias na região (nível tecnológico e de organização socioeconômica) e do potencial de desenvolvimento da bioeconomia circular.
- Diagnóstico da situação de passivo e excedente de florestas nas propriedades da Meta Florestal na Amazônia, cruzados com as áreas de SAFs.