28/10/26

Realizado pela Din4mo, o encontro também marcou o lançamento de um estudo sobre o Fundo e seus aprendizados para ampliar o financiamento de iniciativas de impacto socioambiental

Marcia Soares representando o Fundo Vale no Painel, Blended Finance em debate: custos, governança e desafios de implantação. No evento do 3° encontro de rotas da Din4mo

Utilizar recursos filantrópicos de forma estratégica para mobilizar a entrada do  capital de mercado para financiar negócios de impacto socioambiental é a proposta do Fundo Banzeiro: Capital estratégico para impacto, lançado no 3º Encontro de Rotas da Jornada Go!Blended, no dia 20 de outubro. Desenvolvido pelo Fundo Vale em conjunto com a Din4mo, o Fundo foi concebido como um laboratório de alocação de capital de impacto para testar diferentes arranjos de financiamento misto na agenda de floresta e clima, com prioridade para a Amazônia.  

A iniciativa busca enfrentar uma lacuna: muitos negócios socioambientais precisam de recursos e apoio para amadurecer, mas não encontram condições de financiamento compatíveis com seus riscos, prazos e modelos de receita. Nesse contexto, o capital catalítico pode ajudar a reduzir riscos, fortalecer capacidades e viabilizar a atração de outras fontes de capital. 

O Fundo Banzeiro é constituído por recursos catalíticos, reembolsáveis ou não, para fomentar organizações com impacto socioambiental positivo por meio de estruturas de blended finance — financiamento misto que utiliza capital filantrópico, público ou de fomento para mobilizar capital privado comercial. Em vez de alocar capital diretamente nos empreendimentos e projetos, o modelo opera como um “FOF – Fund of Funds”, alocando recursos em gestores, fundos ou veículos que financiam essas iniciativas. 

O Fundo Vale assume inicialmente o papel de provedor de capital catalítico, com participação na originação e na governança. A Din4mo atua na estruturação e operação do modelo e de suas frentes de apoio. A expectativa é alavancar R$ 3 para cada R$ 1 aportado. Além do financiamento, o Fundo prevê quatro frentes integradas de atuação: assistência técnica para suporte organizacional, financiamento customizado, mensuração de impacto e gestão de conhecimento. 

A abordagem reconhece que disponibilizar recursos financeiros, isoladamente, não é suficiente para superar as barreiras enfrentadas pelos negócios. O modelo é complementar à atuação filantrópica do Fundo Vale e busca criar condições para que os empreendimentos acessem outras fontes de capital e fortaleçam sua sustentabilidade no longo prazo. 

Estudo sistematiza o desenho e os aprendizados do FVP 

O encontro também marcou o lançamento do estudo Fundo Banzeiro – Capital catalítico e blended finance: aprendizados para a estruturação de arquiteturas de impacto socioambiental. A publicação sistematiza decisões, desafios e aprendizados de sua estruturação e gestão, com foco em gerar conhecimento útil e inovador para o ecossistema brasileiro de financiamento de impacto. 

O trabalho integra as Rotas de Inovação da Jornada Go!Blended, comunidade de prática conduzida pela Din4mo Lab para impulsionar o blended finance no Brasil. As rotas partem de experiências concretas para produzir referências que ajudem outros atores a desenvolver estruturas de financiamento misto. 

Ao documentar o Fundo Banzeiro, o estudo apresenta um teste de conceito: verificar, na prática, a viabilidade de mecanismos de financiamento misto para as agendas de floresta, clima, bioeconomia e restauração, além da interseção entre a filantropia e o mercado. 

“Mais do que estruturar operações, o objetivo é contribuir para que o blended finance se torne cada vez mais aplicável pelo mercado. Compartilhar evidências ajuda a reduzir a complexidade desses arranjos, gerar referências práticas e acelerar novas iniciativas”, afirma Patrícia Daros, diretora do Fundo Vale. 

A publicação detalha como a combinação de capital catalítico, gestores especializados, apoio não financeiro e mensuração de impacto pode contribuir para ampliar o acesso a financiamento. Mais do que apresentar um modelo, o estudo busca tornar visíveis as escolhas necessárias para colocá-lo em prática e os elementos que podem ser adaptados por outras instituições. 

Um dos temas centrais da publicação é a adicionalidade: o capital catalítico deve produzir uma mudança que não aconteceria sem sua participação. Isso significa evitar tanto o subsídio a iniciativas que já poderiam acessar financiamento comercial nas mesmas condições quanto o apoio a negócios sem uma trajetória plausível de viabilidade e geração de impacto. 

O trabalho também aborda a adequação dos instrumentos financeiros à maturidade dos empreendimentos, a integração do impacto às decisões   sobre o uso desses recursos e a importância de mapear os limites jurídicos e tributários das organizações envolvidas desde o início da estruturação. 

Como o Fundo Banzeiro é uma arquitetura em implementação, a publicação diferencia hipóteses e resultados esperados de evidências que ainda precisam ser acompanhadas. A proposta é compartilhar aprendizados com transparência sobre os desafios, os custos e os limites do modelo, contribuindo para que novas operações sejam desenvolvidas com maior eficiência. 

Para o Fundo Vale, o legado esperado vai além dos aportes realizados. A sistematização dessa experiência pode gerar referências que outras instituições adaptem aos seus próprios setores e territórios, ampliando a mobilização de recursos e tornando o financiamento misto uma prática mais recorrente no país. 

“Compartilhar essa experiência na estruturação de um Fundo de Venture Philanthropy contribui para transformar aprendizados em referências que possam reduzir os custos de estruturação de mecanismos de financiamento misto e fortalecer a cooperação entre diferentes atores”, conclui Patrícia.