28/09/26

Realizada pela Latimpacto em Manaus, a Impact Minds 2026 contou com a participação de lideranças de 40 países. Fundo Vale, um dos patrocinadores, compartilhou experiências em soluções alinhadas às realidades territoriais e na atuação em redes e coalizões 

Entre os dias 8 e 11 de setembro, Manaus sediou a Impact Minds: Connecting Us, conferência anual da Latimpacto — organização global que reúne lideranças multissetoriais na mobilização de fluxos de capital humano, intelectual e financeiro — para impulsionar o impacto socioambiental na América Latina e no Caribe. O Fundo Vale participou da criação da rede, integra o grupo de membros fundadores e contribui para sua governança por meio do Conselho Gestor. Entre suas colaborações, está impulsionar pautas de natureza e bioeconomia na Amazônia e fortalecer a rede no Brasil. 

A quinta edição da conferência global foi estruturada em quatro eixos: conectar intenções, promovendo o alinhamento de propósitos e estratégias; conectar capital, ampliando o uso combinado de diferentes instrumentos financeiros; conectar atores, estimulando a colaboração entre setores, territórios e comunidades; e conectar sistemas, com foco em mudanças estruturais capazes de gerar impacto duradouro. 

Construindo Futuros  

No painel “Construindo Futuros”, o diálogo partiu de uma questão: decisões sobre desenvolvimento, conservação e prosperidade ainda são frequentemente tomadas longe dos territórios e das comunidades que vivenciam diretamente suas consequências. Participaram Patrícia Daros, diretora do Fundo Vale; Daniela Konietzko, presidente da Fundación WWB Colombia; Wallace Ribeiro, gerente de Impacto e Relações com a Sociedade da Ambev; e Rose Meire Barbosa Correa, subdiretora do Podáali, Fundo Indígena da Amazônia Brasileira.  

“A sustentabilidade é a única via possível para o futuro e essa mudança de paradigma deve ser coletiva. Quando diferentes perspectivas participam da mesma conversa, as decisões são mais justas e efetivas. A ciência ajuda a entender os riscos e a criar soluções, os governos criam políticas públicas, organizações da sociedade civil detêm conhecimento e experiência em agendas específicas, o setor privado colabora com recursos financeiros e técnicos para viabilizar a transição, mas é a voz das comunidades que mostra o que é necessário e legítimo para cada território”, argumentou Patrícia Daros.  

Capital que respeita os territórios  

O financiamento de soluções de forma alinhada às necessidades específicas das comunidades também esteve em debate no painel “Capital que Respeita Territórios — Financiamento com Autonomia para Comunidades”. A conversa reuniu Márcia Soares, gerente Amazônia e Parcerias do Fundo Vale; Bruno Girardi, diretor vice-presidente da Sitawi Finanças do Bem; Laura Santa, associada sênior de Finanças Climáticas da TRANSFORMA; e Fabio Muller, diretor executivo do CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável). 

“Financiar projetos é importante, mas transformar investimento em impacto socioambiental de longo prazo exige combinar recursos, capacidades, relações e conhecimento. Quando fortalecemos iniciativas, organizações, associações, cooperativas e lideranças, ampliamos a capacidade dos territórios de responder melhor aos desafios econômicos, sociais e climáticos. O apoio não termina quando o projeto acaba, porque as capacidades desenvolvidas, as redes construídas e as estruturas fortalecidas permanecem”, defendeu Márcia.  

Fortalecendo ecossistemas de impacto 

O papel das redes, coalizões e organizações dinamizadoras foi o tema do diálogo moderado por Liz Lacerda, do Fundo Vale, com a participação de Gabriela Brettas, da Move Social, e Helena Fischer, do Sense-Lab, que apresentou o estudo “Iniciativas multiatores para o desenvolvimento de ecossistemas de impacto”, realizado com financiamento do Fundo Vale, Instituto Arapyaú, Fundação Grupo Boticário e Instituto Sabin.  

A partir de experiências e aprendizados práticos identificados no estudo, o painel explorou como as redes e coalizões podem ir além da execução conjunta de projetos e atuar sobre o próprio ecossistema, fortalecendo relações e articulação de capital para preencher lacunas e criar condições para que a agenda de impacto avance de maneira mais coordenada e sistêmica. 

“Essas iniciativas se diferenciam por reunir múltiplos atores com o propósito explícito de fortalecer, de forma intencional, os elementos e as relações que compõem um ecossistema temático ou territorial, conectando organizações, setores, recursos e campos de atuação”, afirma Liz Lacerda.  

Cultura como vetor de capital 

Luciana Gondim, diretora do Instituto Cultural Vale e Mayra Mosquera Ramírez, coordenadora do Fundo de Cultura da Latimpacto, participaram de uma conversa sobre o potencial ainda subestimado da arte e da cultura como ativos de transformação social. O painel abordou experiências de fundos culturais que geraram impacto em escala na Colômbia e refletiu sobre como o investimento cultural pode mobilizar pessoas, ampliar narrativas e impulsionar mudanças duradouras.