28/09/26

Negócios apoiados pela Meta Florestal 2030 da Vale, por meio do Fundo Vale, mostraram como sistemas agroflorestais e silvipastoris, conservação florestal via REDD+, recuperação florestal e geração de créditos de carbono podem alcançar escala

O Fundo Vale apresentou, durante a Semana do Clima de Nova York, sua estratégia de apoio a iniciativas de soluções baseadas na natureza no painel “Modelos de Uso da Terra para Mitigação de Emissões de Carbono”, com curadoria do Instituto Arandu, realizado no fórum Climate Crossroads 2026.  

Reunindo experiências com foco no crescimento em escala em recuperação de áreas com sistemas silvipastoris e agroflorestais, conservação via REDD+, recuperação florestal e geração de créditos de carbono, o painel “Modelos de Uso da Terra para Mitigação de Emissões de Carbono” mostrou caminhos viáveis para conciliar ação climática, conservação da biodiversidade e geração de renda.  

As experiências apresentadas se conectam com a Meta Florestal 2030 da Vale, compromisso voluntário de proteger e recuperar 500 mil hectares além das obrigações legais e das fronteiras operacionais da companhia. Até o momento, a Vale já alcançou cerca de 45% da meta, com aproximadamente 225 mil hectares protegidos e recuperados. 

Entre 2020 e 2025, O Fundo Vale destinou R$ 292 milhões em aportes diretos e R$ 38 milhões em suporte não financeiro a negócios de recuperação de áreas. Esse apoio contribuiu para a implementação de cerca de 25,3 mil hectares com sistemas agroflorestais, silvipastoris, consórcios simplificados, silvicultura diversificada e regeneração natural assistida. 

“O financiamento da recuperação de áreas em escala continua sendo um desafio global, porque são iniciativas que exigem um tempo de maturação mais longo até gerar retorno financeiro. Ao transformar recursos filantrópicos em capital catalítico, paciente e flexível, reduzimos riscos iniciais e ajudamos a atrair investimentos de outras fontes”, afirmou Rodrigo Lauria, diretor executivo do Fundo Vale. 

Soluções para mitigação de emissões em uso da terra e agropecuária 

A Caaporã Agrossilvipastoril, um dos primeiros negócios incubados pelo Fundo Vale no contexto da Meta Florestal, compartilhou sua experiência com sistemas silvipastoris. A empresa administra cerca de 19 mil hectares, dos quais aproximadamente 9 mil hectares correspondem a pastagens degradadas recuperadas em Mato Grosso, Tocantins e Bahia. 

O modelo combina práticas de agricultura regenerativa, melhoria da qualidade das pastagens e plantio de árvores. Além de aumentar a produtividade, o sistema contribui para o bem-estar animal e para a redução da intensidade das emissões de metano por unidade de carne produzida. 

A CarbonPec, spin-off da Caaporã, apresentou sua estratégia para transformar a redução de emissões na pecuária em incentivos financeiros para produtores rurais. A iniciativa busca fazer com que receitas de créditos de carbono cubram entre 50% e 80% do custo de recuperação de pastagens e adoção de práticas regenerativas. 

Em parceria com o Imaflora, a empresa apoia a construção de uma metodologia no padrão VCS, da Verra. O projeto-piloto, testado em fazendas da Caaporã no norte do Tocantins, já contabilizou mais de 25 mil toneladas de CO₂ equivalente em reduções de emissões. 

O BTG Pactual Timberland Investment Group, por sua vez, apresentou os avanços de seu fundo de US$ 1,24 bilhão destinado à conservação, restauração e ao reflorestamento na América Latina. A iniciativa prevê a atuação em cerca de 270 mil hectares de paisagens degradadas, divididos entre a proteção e a restauração de ecossistemas nativos e o plantio comercial sustentável certificado pelo FSC.  

Até agora, mais de 20 mil hectares de ecossistemas nativos já entraram em restauração ativa, com 29 milhões de árvores plantadas. O Fundo Vale apoiou na recuperação de 10 mil hectares, contabilizados na Meta Florestal 2030 da Vale.  

A Courageous Land destacou sua plataforma de inteligência agroflorestal, lançada em 2024 com apoio do Fundo Vale. A tecnologia utiliza dados georreferenciados para indicar espécies e cultivos adequados a cada propriedade, estimar custos e receitas e projetar o potencial de geração de créditos de carbono.  

Atualmente, a plataforma possui cerca de 1 mil propriedades de terra cadastradas, que representam 400 mil hectares para implementação de sistemas agroflorestais. A iniciativa foi a vencedora do prêmio Innovate for Nature (I4N) durante o Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos.   

A ZEG Florestal apresentou seu projeto REDD+ em Roraima, responsável pela proteção de mais de 14 mil hectares de floresta nativa amazônica em uma região sob forte pressão  do avanço da fronteira agrícola. A iniciativa combina monitoramento por satélite, prevenção e combate a incêndios florestais, conservação da biodiversidade e benefícios socioeconômicos para comunidades locais. O projeto recebeu classificação AA da BeZero Carbon, a mais alta atribuída pela agência internacional de rating a créditos de carbono. O reconhecimento foi inédito para um projeto de desmatamento evitado no mundo. 

Com apoio do Fundo Vale, a ZEG também estruturou uma iniciativa de coleta de castanha com comunidades do entorno da área protegida. O trabalho incluiu a criação de uma associação de castanheiros, investimentos em infraestrutura e equipamentos e apoio à comercialização, fortalecendo a geração de renda e a valorização da floresta em pé. 

O Instituto Arandu participou do encontro como responsável pela gestão e pelo acompanhamento da aplicação de recursos do Fundo Vale em quatro das iniciativas apresentadas: o investimento via Cédula de Produto Rural na Caaporã, o apoio à Courageous Land, a aceleração da CarbonPec e o subsídio ao projeto REDD+ da ZEG Florestal, conectando capital filantrópico e privado a quatro das iniciativas reunidas no painel.