26/05/26

Com uma rodada de equity de até R$ 75 milhões e o suporte contínuo do Fundo Vale na estruturação do negócio, consolidação financeira e na agenda de impacto, a empresa reforça governança e amplia capacidade produtiva em Sistemas Agroflorestais. 

Foto:  Renato Stockler  

Com o cacau como principal vetor de desenvolvimento em sistemas agroflorestais, a Belterra Agroflorestas avança em um processo de consolidação de suas operações após seis anos de validação técnica, operacional e financeira. A empresa entra em uma nova etapa de crescimento com uma arquitetura financeira mais robusta, maior capacidade de execução e a conclusão de uma rodada de equity de até R$ 75 milhões, destinada a preparar o negócio para escalar a produção sustentável de cacau em Sistemas Agroflorestais (SAFs).   

O movimento inclui o que a empresa descreve como o primeiro investimento de equity em uma operação agroflorestal de produção verticalizada, marcando um novo estágio de maturidade para o modelo.  

O Fundo Vale apoiou sua criação e investiu capital semente da empresa e, desde 2020, vem apoiando o negócio por meio de uma estratégia de blended finance que utiliza o capital catalítico como alavanca para suportar o negócio ao longo do seu crescimento, no contexto da Meta Florestal Vale 2030. Atualmente, a Belterra opera em cerca de 2,5 mil hectares de Sistemas Agroflorestais contratados na Amazônia e na Mata Atlântica, em projetos distribuídos no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Bahia. 

“Em um contexto em que muitos produtores enfrentam restrições de acesso ao crédito rural tradicional, a estratégia de blended finance tem sido decisiva para que a estrutura de capital esteja montada antes da implantação dos sistemas, reduzindo riscos, atraindo novos investidores e consolidando a tese de uma plataforma agroflorestal com impacto socioambiental significativo e retorno de longo prazo”, comenta Patrícia Daros, diretora do Fundo Vale.  

“Após seis anos construindo as bases técnicas, operacionais e financeiras do modelo, a Belterra chega a um momento de consolidação com convicção sobre o caminho. Agora, o desafio é escalar com disciplina e temos a estrutura e os parceiros para isso”, afirma Marcelo Pereti, CFO da Belterra Agroflorestas. 

Estrutura de capital, novas SPEs e governança mais robusta 

A rodada série A é liderada pela Bold.t e conta com a participação da MOV Investimentos, Rise e Ecosia, grupo de investidores de impacto com atuação em finanças sustentáveis, transição climática, restauração ambiental e negócios de impacto socioambiental positivo.  

O aporte é direcionado à holding da Belterra e culmina com o redesenho da companhia: os projetos passam a ser organizados em diferentes Sociedades de Propósito Específico (SPEs), reunidas sob a empresa-mãe. Esse modelo permite estruturar cada SPE de acordo com o perfil e a motivação dos investidores, combinando cacau, outras culturas compatíveis com sistemas biodiversos e créditos de carbono.  

A primeira SPE reúne cerca de 2,5 mil hectares em processo de implementação que também serão contabilizados na Meta Florestal 2030 da Vale. Para tal, a Belterra aportou R$ 30 milhões em ativos próprios, alavancados por financiamento do Fundo Clima, administrado pelo BNDES, e do Amazon Biodiversity Fund (ABF), sob gestão da Impact Earth, alcançando um valor total de R$ 155 milhões. O suporte financeiro e não financeiro do Fundo Vale também foi importante para a consolidação dessa nova estrutura de capital. 

Ao longo dos próximos anos, a Belterra prevê atrair novos investimentos na recuperação de áreas degradadas utilizando sistemas agroflorestais produtivos, com planos de futuras SPEs que podem chegar a áreas de 20 mil hectares. O aporte recém-anunciado não é destinado diretamente à montagem dessas SPEs, mas será fundamental para que a holding consiga fornecê-las com a estrutura necessária em finanças, gestão, tecnologia, logística e pessoas, apoiando projetos distribuídos em diferentes regiões do país. 

Em paralelo, a Belterra avançou na governança, com a criação de um conselho mais ativo e a adoção de estruturas de gestão, controladoria e reporte financeiro alinhadas ao novo estágio da empresa. A entrada dos novos sócios reforça esse movimento, elevando o nível de acompanhamento e exigência em termos de transparência e disciplina de gestão.  

Expansão produtiva e de infraestrutura  

Como parte de sua estratégia de crescimento, a Belterra projeta atingir uma produção anual de 37.500 toneladas de cacau até 2035, em um cenário global marcado por queda de oferta em regiões tradicionalmente produtoras. Para sustentar essa expansão, a empresa está fortalecendo a infraestrutura da holding, com sistemas de gestão, finanças, tecnologia e uma estrutura de operações capaz de apoiar equipes distribuídas em vários estados. Além disso, há a contratação de lideranças com experiência no agronegócio para coordenar a execução em campo.  

Um dos pilares desse crescimento é o investimento em viveiros. Hoje, a Belterra produz pouco mais de 1 milhão de mudas de cacau por ano e já possui capacidade instalada para chegar a 2 milhões. A empresa está implantando um novo viveiro, que permitirá alcançar cerca de 3 milhões de mudas anuais nos próximos anos, em um mercado ainda pouco profissionalizado na oferta de mudas de cacau.  

Plataforma Agroflorestal 

A empresa se posiciona como uma plataforma agroflorestal, tendo o cacau como principal vetor atual de desenvolvimento, aliado a uma diversidade de culturas produtivas e florestais que compõem os chamados Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a geração de créditos de carbono. O modelo se insere em um mercado global relevante, marcado por desafios estruturais de oferta, crescente pressão por rastreabilidade e sustentabilidade, e maior exposição da produção agrícola a eventos climáticos extremos. 

“Nesse contexto, cresce a demanda por sistemas produtivos mais resilientes, capazes de combinar produtividade agrícola, regeneração ambiental e redução de riscos climáticos associados à produção. Ao integrar diferentes espécies em um mesmo sistema, os SAFs contribuem para maior proteção do solo, melhor retenção hídrica, regulação microclimática e diversificação de receitas ao longo do tempo. O modelo foi concebido para permitir essa diversificação, com a incorporação de outras commodities compatíveis com sistemas biodiversos”, explica Valmir Ortega, CEO da Belterra.  

Impacto socioambiental 

A expansão das operações deve gerar impacto direto na economia regional, com previsão de criação de cerca de 1.500 empregos diretos e mais de 1.000 empregos indiretos ao longo da cadeia produtiva. No âmbito ambiental, a empresa estima capturar aproximadamente 500 mil toneladas de carbono até 2030, considerando a fase inicial de implantação e crescimento das áreas. Em um horizonte de 30 anos, a estimativa é de captura total de 4,5 milhões de toneladas de carbono, reforçando o potencial do modelo como solução baseada na natureza para mitigação das mudanças climáticas. 

Sobre a Meta Florestal 2030 da Vale  

A Meta Florestal 2030 é o compromisso voluntário da Vale de proteger e recuperar 500 mil hectares além das obrigações legais e das fronteiras da empresa, até o final da década.  A iniciativa é uma resposta à emergência climática e está alinhada a outra meta da companhia: tornar-se carbono neutra até 2050. 

A implementação é conduzida pelo Fundo Vale, pela Gerência de Recursos Naturais e Áreas Protegidas (GRNAP) e pela área de Mudanças Climáticas, com o apoio do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e de uma ampla rede de parceiros. A iniciativa envolve parcerias público-privadas, está alinhada a agendas nacionais e internacionais de sustentabilidade e tem potencial para inspirar um modelo de referência para o setor empresarial em ações voluntárias capazes de gerar benefícios concretos para a natureza e para as pessoas em larga escala. 

Todas as ações são realizadas com transparência, baseadas em dados e evidências, e orientadas a garantir a permanência dos impactos positivos além de 2030.