Estudo realizado pelo Sense-Lab nasceu do desejo de reunir, organizar e aprofundar aprendizados acumulados ao longo da trajetória da organização

Foi lançado o estudo “Iniciativas Multiatores de Desenvolvimento de Ecossistemas de Impacto”, produzido pelo Sense-Lab, que sistematiza aprendizados de uma década de atuação junto a redes, coalizões e organizações que buscam respostas coletivas para desafios complexos, com foco em economias de impacto e transição ecológica. Apoiada pelo Fundo Vale, Fundação Grupo Boticário, ICE, Instituto Arapyaú e Instituto Sabin, a publicação analisa, em profundidade, como essas iniciativas são estruturadas, como operam na prática e de que forma contribuem para gerar impacto sistêmico e duradouro.
Resultado de um mapeamento inicial de cerca de 150 casos, o estudo aprofunda a análise em 17 iniciativas que apresentam características claras de desenvolvimento de ecossistemas, com base em entrevistas, documentação e revisão de literatura nacional e internacional. A partir daí, oferece repertórios, ferramentas, tipologias e casos para apoiar o desenho e o fortalecimento de iniciativas multiatores em contextos de alta complexidade.
“Essa publicação é especialmente relevante porque oferece uma espécie de bússola para quem precisa sair da lógica de projetos isolados e passar a enxergar o ecossistema como unidade de trabalho. Foi um passo fundamental para estratégias de impacto que almejam escala e resultados de longo prazo”, comenta Márcia Soares, gerente de Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, uma das organizações que apoiou o estudo.
O estudo explicita dois objetivos centrais: ampliar a compreensão sobre como redes, coalizões e iniciativas multiatores operam na prática, especialmente no campo da economia de impacto e da transição ecológica, e oferecer apoio para organizações que já atuam, ou desejam atuar, no desenvolvimento de ecossistemas.
Metodologia robusta: do mapeamento ao mergulho em casos de referência
Para chegar às conclusões apresentadas, a equipe realizou um mapeamento de 82 iniciativas multiatores em atividade no Brasil, com foco em economia de impacto e agenda de transição ecológica. Dessas, 24 foram analisadas de forma aprofundada e 17 se destacaram como foco principal por apresentarem, de maneira mais clara, elementos associados ao desenvolvimento de ecossistemas.
A publicação se ancora em oito iniciativas analisadas em detalhe, complementadas por outras nove, e por uma revisão de literatura sobre colaboração, redes e abordagens sistêmicas. O resultado é um panorama consistente de como essas iniciativas se estruturam em termos de governança, financiamento, engajamento, resultados e impactos.
“O rigor metodológico dessa pesquisa oferece segurança para quem precisa tomar decisões estratégicas em ambientes complexos, mostrando não só o que funciona, mas em que condições, com quais limites e a que custo”, explica Márcia.
Impacto em camadas e infraestruturas de transformação
Um dos pontos centrais do estudo é a compreensão de que iniciativas multiatores de desenvolvimento de ecossistemas produzem valor em camadas. Seu impacto não se restringe aos resultados finais, mas se expressa na criação de condições mais favoráveis à ação coletiva, na reorganização de relações entre atores, no fortalecimento de capacidades e na influência sobre regras, fluxos de recursos e práticas do sistema. A publicação mostra que essas iniciativas operam como plataformas de coordenação, capazes de alinhar múltiplos atores e viabilizar transformações mais amplas.
“Há 10 anos, o Sense-Lab apoia organizações, redes e coalizões de impacto, e no último ano nos dedicamos a estudar como iniciativas multiatores estão transformando a forma de criar soluções para problemas socioambientais complexos, migrando de abordagens isoladas para o desenvolvimento de ecossistemas. Por meio do estudo, conseguimos compartilhar algumas dessas histórias e aprendizados para fortalecer o campo e potencializar o impacto”, ressalta Valentina Mansur, sócia do Sense-Lab.
Relevância prática: quando e por que adotar a abordagem de ecossistemas
O estudo também se debruça sobre vantagens, desafios e limites da abordagem de desenvolvimento de ecossistemas, indicando em quais contextos ela tende a ser mais adequada. Entre as vantagens, estão a capacidade de enfrentar problemas que nenhum ator resolve sozinho, de lidar com alta complexidade e de gerar soluções mais legítimas, duradouras e resilientes. Entre os desafios, ganham destaque a necessidade de tempo, coordenação, confiança, legitimidade e financiamento flexível de longo prazo.
Acesse o estudo na íntegra.